Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 15/12/2020

A Ética Utilitarista, tal como formulada por Jeremy Bentham, permitiu a legitimação de uma ideologia em que a natureza surge de forma subserviente ao homem. Embora essa visão tenha surgido no século XIX, ainda hoje, o alto índice de cesarianas exemplifica herança de tal mentalidade. Dessa forma, é mister a adoção de estratégias para mudar essa situação, que possui como causas a priorização do lucro e

o imediatismo.

Em primeiro plano, vale ressaltar que o Sistema Único de Saúde paga aos médicos cerca de noventa e nove reais a mais por cesarianas, quando comparadas a partos normais. Para Plauto, dramaturgo romano, o homem é o lobo do homem. Sob essa ótica, pode-se prever que o ser humano é capaz de agir com grandes atrocidades para alcançar seus interesses. Ainda nesse viés, é relevante citar o dado de que mais da metade das brasileiras deseja o método natural no início da gravidez, mas com o tempo são desencorajadas.

Ademais, o imediatismo crescente com o advento da internet apresenta-se como um dos desafios à promoção do parto humanizado. Nesse contexto, a prática de manobras técnicas e o uso de intervenções, a fim de abrandar a dor da mãe, vêm sendo difundidas. Entretanto, tais práticas apresentam consequências maléficas, como por exemplo o aumento em três vezes do risco de morte da genitora.

Mediante exposto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Saúde - órgão responsável pela política nacional de saúde - reajustar os valores pagos aos médicos pelos procedimentos obstétricos. Para além disso, este deve investir em campanhas de conscientização acerca dos riscos do método da cesariana, quando desnecessária, a fim de incentivar o parto humanizado. Tais campanhas devem ser disseminadas em horário nobre de grandes emissoras televisivas, para que obtenham maior acesso por parte da população. Posto isso, tornar-se-á possível o fim da herança da mentalidade utilitarista.