Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 15/12/2020

O conceito de parto humanizado surgiu na década de 80 em resposta aos maus-tratos sofridos pelas gestantes nos hospitais durante o nascimento de seus bebês- ainda, em 2020, têm-se desafios que impedem a promoção dessa questão no Brasil. Isso se dá devido a banalização da medicina e de seus objetivos, bem como fruto da desinformação das mulheres sobre esse tipo de parto.

Nesse contexto, a trivialidade dessa profissão no país banaliza, muitas vezes, o momento único da vida das mulheres de “dar à luz” a seus filhos, o que faz muitas, após experiências ruins, optarem pelo parto natural e humanizado. Isso se deve porque a medicina no país adquiriu posição de prestígio pela sociedade, de modo que ser médico tornou-se algo banal e fonte de ganho financeiro, e colocou em segundo plano o que realmente importa: assistir às pessoas, especialmente gestantes, com todo o cuidado e a atenção que lhes são necessárias. Prova disso, segundo pesquisa desenvolvida pela Fundação Perseu Abramo, uma em quatro mulheres relatou ter sofrido violência física ou verbal durante atendimento hospitalar na gravidez, e, muitas delas, após esses casos, optaram por ter seus filhos subsequentes em casa- o que valoriza o parto humanizado ao mesmo tempo que alerta para a situação desse ramo da saúde no país.

Ademais, a falta de provimento de informação sobre o parto natural durante a gestação dificulta sua valorização no Brasil. Esse fato reitera o pensamento do sociólogo Émile Durkheim: “O indivíduo só poderá agir na medida em que aprender a conhecer o contexto que está inserido”, pois esse desconhecimento dos benefícios do parto humanizado faz com que permaneça a submissão das mulheres a situações hostis nos hospitais. Isso perdura porque não há, durante os nove meses e as idas em clínicas para realização de exames, de uma simples conversa que mostre como esse modo de concepção do bebê faz bem para ele e para a mãe, pois reduz muito a chance de complicações, realidade a qual se faz aplicável a opinião do artista Francisco de Goya: “O sono da razão produz monstros”.

Portanto, os desafios que impedem promover o parto humanizado no Brasil devem ser combatidos. Para isso, o Ministério da Saúde precisa levar informação sobre essa forma de “parir”, tão benéfica, por meio da presença de doulas em hospitais e clínicas, para que, durante exames como a ultrassom, por exemplo, seja apresentada essa alternativa à mãe, e ela tenha uma gama de opções para escolher. Mais: o Ministério deve cobrar comprometimento dos profissionais de saúde no atendimento às pacientes, haja vista que esse é o seu papel. Assim, as mulheres terão seus direitos garantidos, especialmente em um momento único de suas vidas.

, tendo, assim, seu direito garantido, e esse momento tão único da vida, respeitado.