Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 20/12/2020

O documentário brasileiro, O Renascimento do parto, retrata, principalmente, a violência obstétrica. Fora da ficção cinematográfica, em tempos hodiernos, é notória que a realidade do Brasil aproxima-se do documentário, tendo em vista os desafios para promover o parto humanizado. Nesse ínterim, esse imbróglio é chancelado seja pela displicência do Poder Público, seja pela ineficência dos profissionais de saúde.

Em primazia, convém ressaltar a desídia governamental como impulsionadora do caos. Imerso nessa logística, de acordo com o pensamento do filósofo Friederich Hegel de que o Estado é o pilar inicial de uma nação, sendo responsável por atenuar as anomalias sociais. Entretanto, a realidade vai de encontro com o raciocínio de Hegel, uma vez que a escassa fiscalização dos entes estatais contribui com o horrendo cenário vivenciado por muitas brasileiras. Além disso, a escassez de informações faz com que muitas delas fiquem a mercê dos médicos e são obrigadas a enfrentarem às péssimas condições que são oferecidas, à guisa de exemplificar, o meio não é favorável e a forma como a paciente é tratada durante o processo e, por conseguinte, podem sofrer com depressão e traumas pós-parto.

Faz-se mister, ainda, salientar a pífia capacitação dos profissionais como catalisador do imbróglio. À luz do exposto, vale pontuar a Lei do Acompanhante, a qual garante à gestante o direito de ser acompanhada por uma pessoa de sua confiança no decorrer do parto. Todavia, é perceptível a escassa capacitação dos docentes, haja vista que não dão instruções às mulheres, à título de exemplo, conselhos, como vai se proceder o parto e isso afeta à estimulação das mulheres para ter parição normal, na qual o ambiente, também, ajuda o processo ser mais humanizado e acolhedor. Por consequência, a indiligência dos médicos potencializa o número de adultas que sofrem com a violência obstétrica e vilipendia os direitos delas.

Infere-se, portanto, que o Estado deve fomentar o investimento em políticas, que visem aumentar a fiscalização na área obstétrica, mediante órgãos fiscalizadores, com a finalidade de amenizar a depressão e traumas causados pós-parto que muitas pessoas sofrem. Ademais, cabe ao Ministério da Saúde, implementar cursos capacitadores, que tenham o objetivo de orientar os médicos a darem mais assistência as pacientes, por intermédio de palestras, de atividades lúdicas, e de seminários interdisciplinares, com o fito de ampliar os partos humanizados e diminuir o sofrimento dessas mulheres em um momento tão importante na vida delas. Só assim, a realidade brasileira torna-se-á mais distante do documentário.