Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 19/12/2020

No documentário nacional “O Renascimento do Parto” é mostrado como as sociedades pós modernas ressignificaram o parto, o qual deixou de ser momento envolto de amor e sentimentos e transformou-se em sinônimo de cirurgias desnecessárias e sofrimento. Nesse sentido, é premente analisar como a privação de conhecimento é fato propulsor da dificuldade da implantação do parto natural e humanizado no Brasil e, ainda, como a mercantilização desse processo que visa o lucro e a rapidez impede as mulheres de terem acesso a métodos mais seguros.

Em primeira análise, é licito postular como a falta de conhecimento impede a promoção do parto humanizado. De acordo com o Ministério da Saúde, as cesáreas devem ser a última opção uma vez que ela aumenta em 6 vezes os riscos de infecções e hemorragias. Não obstante desses dados, hodiernamente no Brasil esse procedimento representa 55,5% dos partos, como afirma o Ministério. A explicação para esse número exorbitante está no pensamento errado que se propagou na sociedade contemporânea de que a via cirúrgica é a mais segura. Como consequência disso, as mães e seus bebes, por falta de orientação adequada, estão propícios a correrem riscos desnecessários. Dessa forma, o incentivo a vias naturais perpassa a disponibilização de informações.

Faz-se mister salientar, ainda, como o parto se tornou produto de mercado. Segundo a antropóloga Robbie Davis-Floyd, com o advento das tecnologias, o parto deixou de ser algo natural, onde o corpo passou a ser tratado como uma máquina, um objeto. Dessa forma, as mulheres perderam o poder de decidir sobre o nascimento de seus filhos e as cesáreas, mais rápidas, padronizadas e lucrativas ganharam espaço. Como evidência do supracitado, no documentário “O Renascimento do Parto” inúmeras mães afirmam que nas consultas do Pré-natal não ocorreram discussões quanto a escolha da mulher, a cirurgia sempre é colocada como prioridade e, ainda, criam-se um estigma de que o parto normal é ultrapassado. Desse modo, é evidente a perda feminina quanto ao direito de escolha em detrimento da lucratividade.

Infere-se, portanto, a necessidade de medidas aptas a intervirem nessas adversidades. Logo, urge que o Ministério da Saúde, por meio da maior parcela dos tributos populacionais, promova um programa de Pré-natal mais completo, isto é, que propicie a mulher todas as informações quanto as suas opções e riscos. Essa medida irá permitir a criação de um plano de parto adequado a cada situação e, concomitantemente, o controle sobre o corpo de forma consciente e livre do interesse econômico. Dessa maneira, o vínculo desses momentos com cirurgias dispensáveis se tornará coisa do passado e as formas mais naturais e seguras serão prioridade.