Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 23/12/2020

No século XIX, o médico húngaro Philipp Semmelweis, através do método de investigação científica, descobriu que a febre puerperal, uma infecção de grande mortalidade em mulheres e em bebês na época, era oriunda da não lavagem das mãos pelos seus parceiros de trabalho, que alternavam o ofício entre as alas de parto e a de dissecação de cadáveres. À luz disso, contrário ao trabalho realizado por esse cientista, responsável por revolucionar os nascimentos, no Brasil contemporâneo, a humanização desse momento está ameaçada não só pela prática indiscriminada de cirurgias cesárias, mas também pela falta de conhecimento sobre essa temática no corpo civil.

Antes de tudo, é incontrovertível os danos que a parição de modo mecanizado causa para as gestantes e as proles. Nesse sentido, a fim de exemplificar, de acordo com o Ministério da Saúde, duas a cada mil mulheres morrem durante esse processo sendo executado de forma natural, em contraste com esse levantamento, nas cesarianas os índices aumentam para sete. Dessa forma, a integridade dos indivíduos que participam de maneira ativa no parto acaba sendo violada, visto a grande exposição a riscos sem as necessidades estabelecidas, que se configuram em complicações que interferem na manutenção da vida de ambos ou em posições do feto que dificutem a sua passagem pelo canal vaginal. Logo, é perceptível que essa cirurgia acarreta riscos maiores para as fases da maternidade.

Ademais, torna-se indubitável que a escassez de informação contribui para a perpetuação desse problema. Com efeito, segundo a Alegoria da Caverna do filósofo Platão, a falta de conhecimento causa a distorção do real, o que torna os indivíduos acorrentados em situações ilusórias. Dentro dessa perspectiva, as gestantes pouco conhecem sobre outro métodos e os seus benefícios, além de não encontrarem apoio e estímulos para enfrentarem os anseios do parto natural, a citar a dor, nas clínicas e hospitais que prestam esse serviço. Portanto, a falta de esclarecimento é um obstáculo para a humanização do fenômeno de conceber. .

Infere-se, destarte, a necessidade de romper com esses padrões. Para tanto, o Ministério da Saúde deve promover a conscientização desse tecido social, por intermédio de debates nas unidades de saúde. Em suma, essas instituições devem fazer rodas de discussão, com a explicação de profissionais da saúde sobre os benefícios do parto natural, que também devem estar ilustrados em panfletos. Além disso, para alcançar um maior público, deve-se dispor de propagandas televisionadas as quais abordem o tema de maneira dinâmica e com fácil compreenção. Por fim, objetiva-se erradicar os empecilhos que barram uma maior humanização do parto e contribuir para a saúde das futuras mães e filhos.