Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 22/12/2020
A série televisiva " The Handmaid’s tale" apresenta um cenário distópico o qual o mundo enfrenta baixíssimas taxas de natalidade e fecundidade. Nessa realidade, os poucos bebês que sobrevivem tornam-se propriedade do Estado e nascem por meio de partos conturbados e desumanos que não priorizam o corpo da mãe. Paralelamente a isso, no Brasil, o parto humanizado não é comum na sociedade, e isso acontece devido à negligência hospitalar e pela capitalização do nascimento. Sob tal ótica, esse contexto desrespeita o corpo de gestantes em todo o país.
Em primeira análise, a negligência dos hospitais e das clínicas de saúde dificultam o parto humanizado entre as gestantes no Brasil. A exemplo disso, em um dos episódios da página de entretenimento “Ter.a.pia” uma mãe relata a experiência traumática do “nascimento” da sua filha natimorta, a qual foi intensificada pela insensibilidade do hospital: segundo ela, as enfermeiras não liam o diagnóstico de óbito antes de se referirem ao bebê, e a deixavam escutar o “som do vazio” durante os ultrassons. Isso ocorre porque a maioria dos protocolos hospitalares são muito objetivos, faltando-se assim, um maior cuidado afetivo e humanizado por parte desses profissionais. Desse modo, essas empresas deveriam preparar seus funcionários para lidar melhor com essas situações.
Em segundo plano, o nascimento no Brasil virou um mercado muito lucrativo para muitos médicos e hospitais. Segundo a UNICEF, o número de partos não naturais chega a 84% nas redes privadas do país. Nessa perspectiva, o número enorme e crescente dessas cirurgias é causada pela praticidade e lucro que ela traz: ao invés de ficar de plantão por horas ao lado de uma só paciente, um médico pode realizar nesse tempo várias cesarianas e com menos assistentes, economizando mais dinheiro do que seria gasto normalmente. E por isso, muitos profissionais conseguem ter uma abertura maior com as gestantes, e convence-las de fazer esse procedimento alegando que, desse modo, a experiência seria indolor e rápida. Portanto, cabe aos funcionários da saúde, priorizar o bem estar da mulher e respeitar sua natureza e não intervir cirurgicamente se não for necessário.
É evidente, portanto, que diversos fatores implicam na ausência de partos humanizados entre a sociedade brasileira, gerando-se, assim, uma intensa mecanização da gestação para muitas mães. Logo, a fim de respeitar a natureza e o corpo da mulher, cabe ao ministério da Saúde, juntamente ao Ministério da Mulher, da família e dos direitos humanos, promover o programa ‘‘Partolivre" que por meio de aulas e artigos -divulgados nas redes sociais- incentivarão a redução de cesarianas, principalmente nas redes privadas. Apenas desse modo o Brasil estará livre do cenário semelhante ao da série televisiva “The Handmaid’s tale”.