Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 28/12/2020

O sociólogo francês Émille Durkheim descreve em seus estudos a sociedade a partir de um modelo organicista, em que, quando há a existência de qualquer ruptura de ordem sociológica, tem-se a perpetuação de uma patologia no tecido social. Desse modo, a teoria durkheiminana está de acordo com a temática dos vieses para garantir o parto humanizado, haja vista a sociedade desigual e as falhas do sistema de saúde. Logo, medidas são necessárias com vistas a mitigar a problemática.

De início, cabe ressaltar que a questão de partos não humanizados tem relação direta com a desigualdade. Nesse prisma, no contexto histórico do Brasil Colônia, Luís Gama, indivíduo com raiz africana e ótimo rendimento intelectual, ascendeu-se de maneira satisfatória socialmente. Entretanto, o nascimento do gênio escritor brasileiro ocorreu de forma precária, sendo esse, em uma senzala, sem a presença médica. Desse modo, no Brasil atual, ainda existem situações irregulares quando o assunto são os partos humanizados. Isso porque, dada a disparidade econômica, fomentada pela lacuna da reparação histórica do trabalho compulsório, os partos se tornam cada vez mais irregulares para a população pobre socioeconomicamente.

Ademais, a ineficiência do sistema de saúde também é um fator contraproducente. Assim, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil, é o segundo país que mais realiza partos cesarianos, esses, em sua maioria, realizados de forma eletiva. Esse fato é realidade de um governo que não investe em saúde e, logo, tem falhas extremas no sistema, bem como, profissionais não qualificados para atender a demanda e tornar os partos mais humanizados. De modo análogo, esse empecilho, de acordo com as ideias do filosofo contratualista John Locke, é uma violação do contrato social, visto que o Estado não cumpre com sua função de garantir o artigo 6º da Constituição Federal, que assegura o direito á saúde digna pra todos a fatia demográfica.

Portanto é imperioso que o Governo Federal destine recursos ao Ministério da Saúde afim de melhorar os imbróglios supracitados. É válido a distribuição de recursos financeiros nos hospitais públicos, mas para além disso, a qualificação profissional dos médicos e enfermeiros. Dessa maneira, workshops, palestras, cursos onlines e atividades práticas são possíveis caminhos a serem trilhados. Por fim, deve-se estimular a equidade social mediante políticas de auxílio financeiro que neutralizem a desigualdade. Como efeito social, espera-se uma nação livre de patologias estudadas por Durkheim.