Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 24/12/2020

Há algumas décadas, a preocupação com as mulheres grávidas tem se tornado prioridade em um país desenvolvido como o Canadá. No Brasil, porém, a negligência demonstrada por parte do poder público no que se refere ao parto  humanizado revela o quão necessário é o debate sobre os desafios desse  assunto na esfera pública. Assim, é necessário analisar tal quadro, intrinsecamente ligados a aspectos educacionais e políticas públicas.

Em primeiro plano, é possível destacar que a falta de informação por parte das futuras mães,  como um fator que dificulta diretamente a promoção do parto humanizado. De acordo com o Ministério da Saúde, aproximadamente 1 a cada 2 partos são cirúrgicos, ou seja, com data e hora marcada no hospital. Dessa forma, em grande parte, sem indicação médica, são realizadas as cesarianas, e assim a saúde da mulher e da criança é colocada em risco sem real necessidade. Em vista disso, o filósofo Kant defende que o homem não é nada além daquilo  que a educação faz dele. Diante de tal exposto, é necessário educar os cidadãos, com campanhas de como as cesarianas podem ser prejudicais, com o objetivo de criar famílias  bem informadas, para que haja o aumento do número de partos naturais.

Além disso, evidencia-se, por parte do  Estado, a falta de políticas públicas  suficientemente efetivas para a diminuição dos partos não humanizados. Sob essa ótica, segundo o filósofo Thomas Hobbes, cabe ao Estado viabilizar ações que  garantam o bem-estar da sociedade. Essa máxima encontra-se deturpada no contexto atual, visto que, de acordo com Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 10 mil cesarianas, morrem 7 mulheres. Esse cenário, além de doloroso, é  inaceitável  em um país que alega ter uma  constituição que está do lado do cidadão e ao mesmo tempo parece não se importar com essa realidade.

Portanto, com a intenção de seguir o bom exemplo de países desenvolvidos, o governo federal  deve agir. Nesse sentido, o Ministério da Educação deve adicionar no currículo escolar de alunos do ensino médio palestras sobre como pode ser prejudicial realizar cesarianas sem indicação médica, com a presença de seus familiares, por meio de professores capacitados, que os auxiliarão a colocar em prática esse aprendizado, com situações da vida real em forma de depoimentos de mulheres que realizaram partos cirúrgicos, com a finalidade de disseminar essas informações, e assim ajudar a  aumentar o número de partos humanizados. Espera-se, com isso, uma mudança de realidade.