Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 27/12/2020
A cesariana não é um fenômeno somente hodierno, já que esse retrato mostrou-se presente desde 1500 quando aconteceu o primeiro parto induzido, desde o seu surgimento ele passou a ser um contraponto ao nascimento normal. Atualmente, o parto humanizado perde forças contra esse método e promover a naturalização hoje em dia tem seus desafios. É notório que a carência da conscientização sobre os lados positivos e negativos é uma das lacunas para a sua concretização. Ademais, a escassez de infraestrutura adequada corrobora para esse impasse.
Nesse sentido, pode-se afirmar que a ausência de consciência por grande parte da população, sobretudo das mulheres, é uma das causas para a pouca escolha do parto normal. Nessa perspectiva, a BNCC-documento que determina os conteúdos ensinados nas escolas-não prevê a discussão acerca desse tema. Não há dúvidas que sem o debate desde cedo sobre a importância de um nascimento natural, em que os perigos são menores e a recuperação da mulher é mais rápida, e dos riscos da cesariana, pois a morte mais do que dobro de mulheres a cada 10 mil, segundo a OMS, a instrução torna-se mais difícil. Logo, o pensamento de Thomas Hobbes que a intervenção estatal é necessária como forma de proteção do indivíduo não se concretiza, uma vez que o Estado deixa-os à mercê do desconhecimento, o que torna o parto humanizado muitas vezes a segunda opção da mulher.
Além disso, é inegável que o Brasil, ocupando a nona posição da economia mundial, seria racional acreditar que possuímos uma estrutura de excelência que atenda as mulheres que buscam o parto normal.Entretanto, essa não é a realidade, haja visto que muitas delas não tem o acompanhamento necessário como a doula, que é uma assistente de parto que trabalha o emocional e físico das mães, e um suporte hospitalar que tenha os equipamentos para o estímulo da dilatação, abertura para que o bebê passe, entre outras coisas. Prova disso é uma matéria do ‘Profissão Repórter’ que acompanhou várias mulheres que buscaram atendimento médico público para terem seus bebês e muitas delas não encontraram a infraestrutura adequada, que deveria ser fornecida pelo Governo, para a realização do parto humanizado, mostrando que a cesariana muitas vezes é uma imposição e não uma escolha.
Fica claro, portanto, que é vital a ação do Ministério da Educação - que tem como função cuidar do sistema educacional - deve incluir o parto como um dos conteúdos do ensino médio. Isso pode ocorrer por meio da alteração da BNCC. Dessa forma, conscientizando e instruindo as mulheres a tomarem decisões responsáveis na hora de escolher o tipo de nascimento do seu bebê. Também, o Ministério da Economia deve destinar maiores verbas para o fornecimento de uma estrutura que atenda de forma eficiente o parto normal, assim não impondo uma escolha a mulher e sim deixando que ela decida.