Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 27/12/2020

Até o final do século XVIII, o parto era uma momento íntimo e a aconchegante, vivenciado pelas gestantes e sua família ao lado de uma parteira, dentro do seu próprio lar. No final do século XIX, e o avanço da medicina, inaugura-se um processo de transformação, o parto, passa a ter uma perspectiva médica e começa a ser realizado em hospitais. Nesse novo cenário, à mulher passa a ser submita a procedimentos desnessários que violam sua integridade e promovem um parto desumanizado.

Em primeiro lugar, devemos ressaltar que nos dias atuais, existe uma coerção por parte da equipe médica a realização da cesária, na qual o profissional da saúde, faz uso dos seus conhecimentos técnicos e da sua autoridade para induzir esse tipo de parto, prova disto, são os dados do ano de 2017, divulgados pelo Ministério da Saúde, onde mostram que dos 3 milhões de partos realizados no país, 55,5% foram cesáreos e 44,5% partos normais, em contrapartida com a OMS, que recomenda uma taxa de 15% para as intervenções cesárea.

Em segundo lugar, o termo parto humanizado ganhou maior destaque com o aumento das taxas de cesária, o termo tem como enfoque o respeito e autonomia da mulher durante o parto, seja normal ou cesáreo. Nesse sentido, a filósofa Simone Beauvoir, diz que à mulher é atribuída uma certa vocação à maternidade. Muitas mulheres são tratadas como mero objeto e em seus corpos incidem noções controladoras, como a violência obstétrica, onde as principais formas são esterilização não consentida, recusa em administras analgésicos e violações de privacidade.

Em suma, vemos que muitas mulheres sofrem algum tipo de violência com os partos no Brasil, e com o intuíto de promover um parto humanizado, cabe ao Ministério da Saúde a elaboração de uma portaria que contenha os direitos e deveres da equipe médica com as gestantes, fornecendo a atenção e atendimento necessário, respeitando e não ultrapassando os limites, assim evitando o abuso de poder e consequentemente contribuindo para a diminuição da violência obstétrica.