Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 01/01/2021

Uma importante questão a ser esclarecida é que o termo “Parto Humanizado” não pode ser entendido como um “tipo de parto”, em que alguns detalhes externos o definem como tal, como o uso da água ou posição, intensidade da luz, a presença do acompanhante ou qualquer outra variável. Nesse sentido, entende-se que a humanização do parto é um processo e não um produto ofertado pelos hospitais. Contrariamente à questão, dados omitidos pela Organização Mundial da Saúde ( OMS) apontam o Brasil como recordista em cesarianas. Dentro dessa realidade, convém analisar a existência de violência obstétrica, haja vista a violação da integridade humana em que não só a perda de empatia, mas também a infraestrutura educacional intensificam a problemática.

É importante pontuar, de início, que a educação superior na área da saúde é subfinanciada no Brasil, tendo em vista a carência de hospitais universitários, bem como a falta de professores qualificados. Nesse cenário negligente, a formação íntegra dos estudantes torna-se utópica, o que proporciona à sociedade, por meio do mercado de trabalho, profissionais incapacitados de suprir demandas sociais.Isso fica evidente quando percerbe-se, através dos dados da OMS, que o parto cesária prevalece em detrimento do normal, uma vez que requer menor esforço de quem faz o procedimento e além de ser mais ágil, possibilita maior número de atendimentos diários, porém, o processo cirúrgico é danoso à mulher,devido a cicatrização delicada, por exemplo.

Além disso, a contemporaneidade é marcada pela falta de empatia, graças ao exacerbado individualismo. Isso ocorreu porque, conforme Zygumunt Bauman, a lógica hipercapitalista subverteu o sentimento empático, o que causou, por consequência, menos afeto nas relações sociais. Para ilustrar,basta verificar o tratamento de saúde pública ofertado às parturientes, pois, de acordo com o site “Casa Amora”, os procedimentos nem sempre são realizados sob preceitos anestésicos, além de ocorrer a aceleração da duração do trabalho de parto via uso de ocitocina sintética ( hormônio) que intensifica as contrações. Desse modo, o direito à integridade materna, assegurado constitucionalmente, é prejudicado.

A vista disso, torna-se necessário reformular as políticas públicas de saúde, a fim de proteger a dignidade gestacional e com isso, devolver sua soberania. Para tanto, compete ao Ministério da Educação disponibilizar as instituições de ensino superior deduções fiscais para aquelas que utilizarem a humanização gestacional como pilar da sua matriz curricular. Paralalamente, concerne ao Ministério da Saúde, garantir maior valorização do parto humanizado através do aumento do valor pago aos profissionais. Quem sabe assim, a naturalização daquilo que é parte do ciclo vital será ressignificada .