Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 03/01/2021
Nos últimos vinte anos, segundo as Nações Unidas, os profissionais da saúde passaram a utilizar, cada vez mais, intervenções desnecessárias no momento do parto. Com esse cenário alarmante, o parto humanizado tem o objetivo de acolher e respeitar o protagonismo da mulher, pois tal prática cria condições para que todas as perspectivas das parturientes sejam atendidas: espiritual, psicológica e social. Contudo, os desafios para promover esse atendimento as gestantes têm sido a ausência de informações sobre o meio acolhedor e a conveniência da equipe médica pela cesariana.
É lícito pontuar, de início, que a Lei Federal, de 2015, assegura o direito ao parto humanizado nos estabelecimentos públicos. Entretanto, esse privilégio não é alcançado pelas parturientes por falta de conhecimentos, na maioria dos casos, pela falta do diálogo claro com os profissionais da saúde, os quais não explanam os benefícios da humanização na parturição, em contrapartida dos riscos da cesárea, sendo utilizado esse método, apenas, se for constatado algum risco a mãe ou ao feto. Nesse contexto, segundo a Organização Mundial de Saúde, o Brasil é o segundo país do mundo com a maior taxa de cesáreas, ratificando, assim, que a carência na comunicação dos meios seguros e acolhedores acabam excluindo a mulher do poder de decisão e de gozar das regalias instituídas por lei.
Ademais, o curto tempo, rentabilidade e facilidade do procedimento da cesariana, atende as conveniências da equipe e dispensa, assim, o protagonismo da paciente. Nesse viés, por dedução analítica, impor ou influenciar a mulher a uma técnica perigosa, pois o Ministério da Saúde alerta que as chances da mãe contrair uma infecção ou ter uma hemorragia é maior, além de quadruplicar os riscos de o bebê ir para a Unidade de Terapia Intensiva, por benefício próprio dos profissionais é violência obstetra e deve ser denunciado. Destarte, a comercialização desse artifício, sem a necessidade evidente, tem sido um desafio para promover o parto de forma humanizada.
Fica evidente, portanto, que o déficit de conhecimento por parte das gestantes sobre os seus direitos e a negligência hospitalar são os agravantes para estabelecer o parto humanizado no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde criar um projeto de educação sobre a parturição acolhedora para as gestantes, aplicadas nas Unidades Básica de Saúde, por meio de palestras, ministradas por ginecologistas, e acompanhamento periódico com fisioterapeutas pélvicas e doulas. Essa medida tem a finalidade de proporcionar as mulheres às informações necessárias para que possam ter autonomia de escolha. Outrossim, o Conselho Regional de Medicina deve investigar e, por conseguinte, afastar a equipe médica que praticar violência obstetra, logo, a mulher terá mais segurança quanto as suas decisões. Somente assim, os entraves da consolidação do parto humanizado serão desmitificados.