Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 08/06/2021
Na Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948 pela ONU (Organização das Nações Unidas), estão registrados os direitos naturais de todos os cidadãos. Entre eles, destacam-se os direitos à saúde e à vida, os quais são muitas vezes ameaçados devido à substituição de partos humanizados por intervenções cirúrgicas desnecessárias que colocam em risco a vida de mães e de crianças brasileiras. Essa realidade é consequência de questões não apenas culturais, mas também estruturais e, para que ela não perdure no Brasil, atitudes devem ser tomadas.
Um primeiro aspecto responsável pela problemática consiste no conhecimento precário da população quanto aos benefícios e aos malefícios das diferentes formas de parto. Durante o século XIX, o avanço tecnocientífico advindo da II Revolução Industrial ocasionou o desenvolvimento da indústia farmacêutica e da medicina. A partir disso, as populações, sobretudo dos países ocidentais, passaram a confiar cada vez mais nas intervenções medicamentosas e cirúrgicas em detrimento das técnicas naturais de cuidados com a saúde, como o parto humanizado, o que, combinado ao medo da dor do parto, faz com que muitas mães se submetam às cirurgias cesarianas. Por conseguinte, várias delas, bem como seus bebês, são expostas aos riscos de uma cirurgia desnecessariamente, uma vez que poderiam optar por formas menos invasivas de dar à luz uma criança.
Ademais, vale ressaltar que a precariedade infraestrutural da maioria dos hospitais do SUS (Sistema Único de Saúde) corrobora a continuidade do problema. Pelo fato de o tempo de duração dos partos humanizados variar muito entre as gestantes, os hospitais precisam dispor de médicos e de enfermeiros pelo tempo que for preciso para o acompanhamento dos pacientes, bem como de salas adequadamente equipadas para possíveis intervenções cirúrgicas. Todavia, a maioria dos hospitais públicos brasileiros não contam com a infraestrutura necessária, o que dificulta a disseminação do parto humanizado no país.
Faz-se necessária, pois, com o intuito de atenuar esse quadro, a ação do Governo Federal, por intermédio do Ministério da Saúde. Esse órgão deve conscientizar a população sobre os riscos de procedimentos cirúrgicos evitáveis, por meio de campanhas de circulação nacional, transmitidas, por exemplo, nas redes abertas de televisão, a fim de aumentar a adesão popular ao parto humanizado. Além disso, o Estado deve capacitar hospitais públicos à realização de partos naturais, mediante inserção de alas especializadas, para que eles sejam mais frequentemente realizados. Assim, menos brasileiros serão expostos a situações que coloquem em risco os seus direitos humanos à saúde e à vida.