Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 22/02/2021
De acordo com o Artigo 3 da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, todo indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança social. O que se observa na sociedade brasileira no parâmetro da seguraça obstétrica, entretanto, vai de encontro a essa ideia universal que deveria legislativamente assegurar o bem estar da população tanto nesse quanto em qualquer aspecto. Assim, tendo em vista obstáculos como a falta de debate e de problematização do tema, associados à falta de proeficiência estatal no que diz respeito a tomada de uma atitude concreta sobre essa problemática, novas e mais proeficientes medidas de abordagem e de remediação fazem-se, portanto, urgentemente necessárias.
Evidencia-se no seriado televisivo “Orange is the new black”, a vida em um presídio feminino, bem como as relações que ali ocorrem; desde a disponibilidade de medicamentos, ao acesso à higiene básica. Partindo dessa óptica, não se torna difícil imaginar as condições as quais são submetidas as presidiárias durante o parto em tais ambientes - visto que mulheres que são detidas durante a gestação e casos de gravidez por relações sexuais clandestinas dentro da própria prisão são uma realidade vigente. Logo, a falta de preocupação e de iniciativas dinâmicas por parte do Estado para que o parto em tais localidades ocorra de modo higiênico e seguro acaba resultando em um desafio para a ocorrência e concretização do parto humanizado.
Ademais, sabe-se que para muitas mulheres, a experiência do parto pode vir a ser de fato, traumatizante. A escassez de informações importantes e necessárias, como um detalhamento maior a respeito do processo do parto e sobre a importância do direito de escolha são algumas causas disso. Portanto, passar a ver a desumanização do ato de dar à luz como um problema vigente de saúde pública e fornecer às gestantes do país informações nas quais possam se basear para terem a experiência mais segura e confortável possível é, consequentemente, um passo imprecindível a ser tomado para combater esse empecilho na sociedade brasileira.
Logo, campanhas instrutivas e de conscientização devem ser criadas e estimuladas pelo Ministério da Saúde em parceria com empresas e ONGs atuantes na área da saúde, com objetivo de informar e lecionar a população a respeito do assunto. Ademais, é de suma importância que essa mesma população no seu papel de cidadania pressione os governantes eleitos para que tomem um posicionamento crítico no que diz respeito a situação dos Sistemas de Saúde e Carcerário. Ao mesmo tempo, deve-se disseminar nas mídias sociais – que possuem grande alcance e poder informativo – através de campanhas, a importância do respeito e do apoio à escolha das gestantes. Assim,a realidade referida na declaração dos Direitos Humanos tornar-se-á, passo a passo, cada vez mais próxima.