Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 01/04/2021

A obra “Desespero” do pintor francês Gustave Coubert retrata um jovem com um semblante extremamente angustiado e aflito, como se pedisse socorro. De forma semelhante, esse é o sentimento de inúmeras gestantes, submetidas a partos deveras traumáticos, visto que o Brasil enfrenta uma série de desafios para a concretização de nascimentos humanizados, seja pelo espírito capitalista dos médicos, seja pela falta de informação das grávidas. Logo, esse cenário caótico travanca o bem-estar de mãe e filho.

Segundo o filósofo utilitarista Jeremy Bentham, “o bem é aquele que atinge o maior número possível de pessoas”. Todavia, não é o que ocorre, já que muitos médicos, preocupados apenas com a quantidade de partos feitos e, consequentemente com seu lucro, realizam cirurgias cesáreas mesmo quando não são necessárias, por ser um procedimento rápido e prático, apesar de trazer inúmeros riscos para a mãe e para o bebê, como hemorragias internas ou o não desenvolvimento correto do sistema imunológico da criança. Por conseguinte, o comportamento mercantilista de muitos obstetras prejudica a popularização dos partos humanizados, infinitas vezes mais benéfico.

Ademais, o filósofo Kant define como autonomia o processo no qual o indivíduo deixa de formar suas opiniões a partir de terceiros. Entretanto, grande parte das grávidas permanece na heteronomia e, por falta de informações sobre o parto humanizado, optam pelo parto cesáreo, feito em um centro cirúrgico frio e impessoal, o que vai de encontro à dinâmica humanista, que é realizada no local escolhido pela gestante e pode ser uma piscina, por exemplo, além de dar um posicionamento ativo à mulher, que é protagonista de seu parto, e não uma paciente,apenas. Desse modo, a disseminação de nascimentos cesarianos é extremamente prejudicial é “rouba” das mães um momento ímpar que, além de saudável e seguro, cria um forte vínculo afetivo entre mãe e filho.

Destarte, é necessário que o Estado puna hospitais que realizam procedimentos cesáreos desnecessários apenas para lucrar mais, através de órgãos como o Conselho Federal de Medicina(FRM),que deve fiscalizar e multar instituições que desrespeitem as diretrizes adotadas, a fim de garantir o aumento da quantidade de partos naturais e humanizados. Cabe ainda a essa instituição de poder investir em propagandas, mostrando à população gestante as inúmeras vantagens de procedimentos humanizados, a fim de evitar o sentimento descrito por Coubert