Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 01/04/2021

O documentário, “O renascimento do parto”, trata-se da questão da dificuldade da realização de partos naturais e defende que as mulheres tenham autonomia nas suas escolhas na hora do parto. Além disso, os desafios para a promoção do parto humanizado no Brasil prejudicam a vida de milhares de mães e remontam ao impasse apresentado na série. Assim, tanto o enraizamento da prática da cesariana na sociedade atual, como o silenciamento dos órgãos competentes e das grandes mídias contribuem com essa dura realidade

Em primeiro lugar, convém analisar a provável influência de uma cultura da cesariana, presente no Brasil, na saúde plena das mães e dos recém-nascidos. Nesse contexto, observa-se que, apesar de o parto cirúrgico ameaçar a vida de ambos, visto ser um procedimento invasivo, ele ainda é o mais realizado no Brasil, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, OMS. Isso se deve, principalmente, pela ausência de dor durante o procedimento e pela preferência dele por parte dos médicos, uma vez que tem uma realização mais ágil e simples. Tal fato comprova a existência de um estigma social que valoriza a cesariana e a exposição da progenitora, que se torna passiva à violência obstétrica e à complicações pós-operatórias. Desse modo, a mentalidade social que apenas analisa os benefícios da cesariana acaba por dificultar a realização de partos humanizados, quando possíveis, e pode comprometer a vida da mãe e do infante.

Ademais, o silenciamento das mídias e das instituições de saúde pública tende a manter improvável a naturalização dos nascimentos no Brasil. Em relação a isso, vê-se que o filósofo Habermas já preconizava que o debate sobre determinada mazela social já se configura como uma forma efetiva de ação. Todavia, a quase inexistência de projetos e de campanhas que estimulem a humanização dos partos, quando esta puder ser realizada, movimenta uma indústria médico-hospitalar que lucra com a realização de cesarianas desnecessárias e ameaça a vida de milhares de brasileiros. Destarte, a naturalização de milhares de partos se mantêm escassa e os impasses retratados na produção norte-americana perpetuam-se no Brasil.

Portanto, faz-se imprescindível a tomada de medidas que promovam um avanço na obstetrícia brasileira. Assim, concerne ao Ministério da Saúde, como instância máxima de administração na área, e ao Conselho Federal de Medicina o dever de criarem o projeto “Parto Humano”. O intuito desse projeto é, por meio de parcerias com as universidades públicas e privadas, a realização de palestras e amostras com médicos, ginecologistas, enfermeiros e estudantes de medicina que explanem os benefícios do parto natural às futuras mães durante o período do pré-natal.