Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 31/03/2021
O Sistema Único de Saúde (SUS) é responsável por assegurar que os brasileiros tenham acesso à saúde, incluindo partos e acompanhamentos de gestantes. Entretanto, é notável que houve uma industrialização do parto desde a ascensão da cesárea e a consequente desumanização do procedimento. Nesse contexto, os principais desafios para promover o parto humanizado são o controle do corpo da mulher desvinculado dela e associado aos médicos ou familiares próximos e a falta de informação disponível para gestantes.
Em primeira análise, destaca-se que o sistema patriarcal persiste na sociedade brasileira e, como consequência, o controle do corpo, das atitudes e da vida feminina ainda são, muitas vezes, responsabilidade do pai, marido ou irmão mais velho, o que na hora de parir não é diferente. Além da pressão familiar quanto ao tipo de parto escolhido, os médicos influenciam na decisão das grávidas, que segundo uma matéria divulgada no site da UFSC, cerca de 70% almejam o parto normal no início, mas são desencorajadas ao longo da gestação. Ademais, de acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar, os médicos do SUS recebem cerca de R$ 100,00 a mais por cesarianas, o que justifica a intenção de incentivar a escolha por tal tipo de parto, deixando evidente que este se tornou um produto, cujo valor afetivo foi anulado em função do valor econômico.
Em segunda análise, a falta de informação que é disponibilizada para as gestantes é outro fator que, somado a falta de incentivos ao parto normal, apresenta-se como um empecilho para a humanização do momento do nascimento da criança. Nesse sentido, é importante salientar que a cesariana é uma cirurgia em casos de emergência, ou seja, somente quando há alguma complicação no trabalho de parto ou quando a mulher apresenta algum fator que impeça a realização natural do nascimento do bebê, comprometendo a vida de ambos. Ademais, é omitido delas que a cesárea em casos desnecessários e/ou sem recomendação médica pode trazer danos ao recém nascido, que pode desenvolver problemas respiratórios caso o parto seja prematuro, e à mãe, que aumenta as chances de depressão pós-parto.
Portanto, cabe ao Ministério da Saúde promover a humanização dos partos no Brasil, por meio da divulgação de informações para as gestantes e desmistificação de estereótipos arcaicos sobre o parto normal e do incentivo à liberdade de escolha das mulheres sobre o modo como irão parir, a fim de reduzir o número de cesarianas feitas no país, garantindo, assim, maior independência feminina quanto às suas vontades, além de aumentar as probabilidades de que mãe e filho terminem o processo em segurança, sem que fiquem expostos a riscos que poderiam ser evitados.