Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 27/08/2021
O documentário “O renascimento do parto” retrata, na perspectiva de mães e de profissionais de saúde, a importância do parto humanizado para o bem-estar integral das gestantes e dos bebês. No entanto, no século XXI, no Brasil, os desafios para promover o parto humanizado são constantes, os quais ocorrem devido à mercantilização da concepção, bem como o preconceito enraizado relacionado a reprodução feminina.
Preliminarmente, é pertinente elencar que muitos médicos negligenciam o processo natural com o intuito de beneficiar o setor econômico. Desse modo, o filósofo australiano Peter Singer, na obra “Bioética”, afirma que é necessário adotar uma série de princípios éticos ao se tratar da vida humana e animal. Nessa perspectiva, conforme a Organização Mundial da Saúde, a taxa de cesariana nos hospitais privados é de 85%, devido as vantagens financeiras, haja vista que o recomendado é de até 15%. Portanto, irrefutavelmente, as maoirias das cesarianas são realizadas para obeter lucro, em detrimento da saúde da mulher e da criança, o que contraria, por consequência, a teoria ética de Singer.
Outrossim, é fundamental analisar que o machismo dificulta a resolução dessa problemática. Sob esse ponto de vista, consoante a antropológa britância Sheila Kitzinger, “Quando as mulheres dão a luz são controladas por um sistema médico masculino, hierarquico e autoritário”. Logo, indubitavelmente, faz-se mister a reformulação dessa postura patriarcal de forma urgente para garantir os direitos da comunidade feminina.
Em vista dos fatos elencados, são necessárias medidas que extingam a comercialização da medicina, como também a discriminação intríseca no corpo social. Destarte, o Ministério da Saúde deve implementar programas sociais que expandam os partos humanizados, como fiscalizações em hospitais públicos e privados, por meio de sanções jurídicas, com a finalidade de garantir o bem-estar da gestante, assim como narrado no documentário brasileiro. Ademais, cabe ao Ministério da Educação criar projetos comunitários, como debates e palestras em escolas e institutos, por meio de participações de mulheres e profissionais de saúde que compartilhem a experiência e os benéficos do parto humanizado, com o objetivo de anular o controle opressivo, bem como afirmou Kitzinger.