Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 13/03/2021

O documentário brasileiro “O renascimento do parto” apresenta relatos de mulheres e profissionais da saúde acerca da violência obstetrícia, problema ainda muito comum no Brasil e que impacta diretamente o bem-estar das mães e dos bebês. Nesse cenário, a obra cria um debate entorno da falta de humanização durante os partos realizados no país. Dentre as causas dessa conjuntura estão a mercantilização do saúde e a desinformação acerca do processo reprodutivo.

Diante disso, é necessário destacar os impactos da busca pela produtividade e lucratividade, em detrimento da realização de partos saudáveis. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em apenas três a cada cinquenta procedimentos obstetricos, faz-se necessária a realização de cesarianas - incisão abdominal para retirada da criança -. Entretanto, dados apontados em “O renascimento do parto”, demonstram que a média do país ultrapassa os 70% dos casos. Assim, com a utilização, frequentemente desnecessária, de tais procedimentos, para poupar o tempo dos profissionais e dos serviços hospitalares, as mulheres ficam submetidas a tratamentos extremamente impessoais e fisicamente dolorosos.

Ademais, há o embargo da falta informações fornecidas às gestantes, em relação aos procedimentos que respeitam a realização de um parto saudável. Segundo o psicanalista Sigmund Freud, em sua obra “Totem e tabu”, quando determinado assunto, a exemplo do processo reprodutivo feminino, é considerado um tabu para uma construção social, sua discussão deve ser evitada. Nesse sentido, dentro de uma sociedade ainda muito patriarcal como o Brasil, as mulheres perdem o protagonismo até mesmo no processo “dar à luz”. Isso porque, devido à falta de conhecimento sobre as necessidades do próprio corpo, é comum elas serem levadas a acreditar que não têm autonomia ao parir e, portanto, devem se submeter àquilo que os profissionais propõem. Dessa forma, tal lógica abre margem para a prática de violências físicas e verbais contra as mães durante o parto, desde cortes e dilacerações, até ofensas por parte dos profissionais.

Logo, cabe ao Ministério da Saúde promover a disseminação de informações acerca do processo reprodutivo feminino, a fim de garantir a humanização dos partos e a autonomia da mulher. Isso pode ser feito por meio de vídeos publicados nas redes sociais - apresentados por profissionais da saúde - os quais desmistifiquem inverdades acerca da gestação, do parto e do corpo feminino como um todo. Além disso, devem ser fornecidos canais de denúncia para os casos de prática de violência obstetrícia. Por fim, o Ministério da Educação deve estimular a formação humana de estudantes da área da saúde, como matérias voltadas à humanização dos atendimentos.