Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 19/03/2021

No livro “A Tenda Vermelha”, de Anita Diamant, é apresentado um lugar onde as mulheres se reunem quando estão menstruadas, grávidas ou doentes. Nesse sentido, quando gestantes, elas aproveitam o tempo para se reencontrarem interiormente e se prepararem para um parto mais prazeroso possível. Fora da ficção, a realidade apresentada na obra é o oposto do que se observa quanto a humanização do parto das brasileiras: a pervesidade da lógica capitalista industrializada se sobrepõe ao bem estar da grávida e do bebê, o que por sua vez, revela a violência obstétrica.

Em primeira análise, segundo o economista francês Thomas Piketty, enquanto a lucratividade for a principal máxima do capitalismo, as mazelas sociais jamais serão superadas. Assim, enquanto uma gestante precisar se preocupar em voltar o mais rápido para o emprego para não ter seu cargo substituído, a desumanização do parto será constante. Haja vista que, o imediatismo capitalista imposto para ela a faz optar por um parto marcado, invasivo e sem respeitar a natureza do corpo. Em um episódio da série televisiva “Mãe Só Tem Duas”, por exemplo, a executiva Ana Servín apesar de estar no nono mês de gestação, dá entrada na maternidade resolvendo empecilhos do serviço, deixando completamente de lado, por sua vez, a humanização do parto.

Somado a isso, consoante a teoria da “Cidadania de Papel” do sociólogo Gilberto Dimenstain, a comtemporaneidade é marcada por direitos sociais que se limitam aos papéis, isto é, a aplicapilidade deles não é concretizada. Tal qual, se observa na Constituição, no artigo 6, o qual afirma o direito a proteção à maternidade como essencial. No entanto, no Brasil, mais da metade dos partos realizados são cirúrgicos, ultrapassando, segundo a Organização Mundial da Saúde, o índice ideal-que é de quinze porcento.

Portanto, medidas são nessesárias para resolver o impasse. Diante disso, cabe ao Congresso Nacional, promover mais investimentos nos hospitais-mediante uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias- os quais realizarão palestras e debates com as grávidas e patrões. Mediadas por obstétras, psicólogos e assistentes sociais, com o intuito de transmitir a relevância da prática do parto humanizado tanto para a mãe quanto para o bebê. Assim, busca-se respeitar a natureza humana tal qual ocorre em “A Tenda Vermelha”, promovendo um lugar de harmônia e desenvolvimento social.