Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 01/04/2021
No final dos anos 1980, surgiu o conceito de parto humanizado como resposta à violência obstétrica sofrida pelas mulheres. Na época, a cesárea era apresentada como opção mais segura e prática, como atualmente, em que as mães são instruídas a não realizarem o parto normal, pela temida dor do processo. Dessa forma, pode-se afirmar que o parto tomou rumo da produtividade em massa, na qual, ao invés de ser visto como um processo natural da vida das mulheres, passou a ser um procedimento médico de alta complexidade. Logo, a prevalência aumentada de cesáreas no Brasil, é decorrente da falta de informações baseadas em evidências científicas, à falta de preparação, apoio, cuidado e profissionais que encarem o parto como um processo natural. Em primeiro plano, cabe ressaltar a importância da humanização do parto, uma vez que o processo respeita e cria condições para que todas as dimensões do ser humano sejam atendidas: espiritual, psicológica, biológica e social. Nesse sentido, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera o parto humanizado como um elemento importante para a promoção da saúde, pois, ele contribui para a redução da mortalidade materna e neonatal, da violência obstétrica e das vergonhosas taxas de cesarianas brasileiras. Entretanto, a carência de informações verdadeiras acerca do assunto, movimenta uma indústria médico-hospitalar que lucra com a realização de cesarianas desnecessárias e ameaça a vida de milhares de brasileiros. Além disso, convém analisar a influência cultural da cesariana presente no Brasil, na saúde das mães e dos recém-nascidos. Nesse contexto, observa-se que apesar do parto cirúrgico ser um procedimento invasivo, ele ainda é o mais realizado no Brasil, segundo dados da OMS. Desse modo, constata-se que é alto o índice da realização desse procedimento, devido principalmente à ausência de dor e preferência dele por parte dos médicos, uma vez que o processo é mais ágil e possui custo elevado. Assim, comprova- se a existência de um estigma social que valoriza a cesariana e a exposição da progenitora, que se torna passiva à violência obstétrica e à complicações pós-operatórias. Portanto, medidas são necessárias para solucionar esse impasse. Dessa maneira, é de extrema importância que o poder público desenvolva uma medicina baseada em promoções de saúde, para que o parto humanizado seja estabelecido como padrão no Brasil. Além disso, palestras e campanhas em mídias sociais são fundamentais no auxílio da remoção da cultura da cesária na sociedade brasileira. Logo, será possível vencer os desafios para promover o parto humanizado no país.