Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 31/03/2021

É fato que o parto humanizado não está presente em número adequado na população brasileira dos dias atuais. De acordo com pesquisas da Organização Mundial de Saúde, o Brasil tem a maior taxa de partos cesariana do mundo, com uma porcentagem de 53,7%. É visto então, que são encontrados diversos desafios para promover o parto humanizado no Brasil, sejam eles o enraizamento da prática da cesariana na sociedade, seja a desinformação sobre este modelo de atendimento. Portanto, tornam-se necessárias medidas para atenuar as mazelas existentes.

A princípio, deve-se analisar a cultura das cirurgias cesárea no país. Segundo pesquisas da Universidade Federal de Santa Catarina, mais de 70% das brasileiras deseja um parto normal no início da gravidez, mas com o tempo são desencorajadas. Isso se deve ao fato de que as mulheres sentem medo da dor do parto normal e, também, há uma imprevisibilidade no processo, influenciando-as a optar por um parto cirúrgico. Além disso, muitas vezes as mulheres se encontram em casos de violência obstétrica. Isso ocorre quando, por influência de médicos que buscam apenas o custo das cirurgias em seu benefício contrariamente às necessidades de suas pacientes, parturientes enfrentam uma cesárea desnecessária, tornando-se expostas a diversos riscos durante e após o procedimento e arriscando, igualmente, a vida do recém-nascido.

Ademais, a desinformação e a falta de estimulação do parto humanizado também são problemas a serem enfrentados quanto a normalização desse processo médico. Nesse sentido, conforme a enfermeira obstetra Fernanda Copelli, muitas mulheres não são orientadas quanto à duração do trabalho de parto e a outros fatores, com isso, são aumentadas as intervenções desnecessárias e as violências obstétricas, transformando o que seria um acontecimento normal em um procedimento insensibilizado, aumentando ainda mais as sensações dolorosas e os medos, o que contribui para a aceitação dos partos não-humanizados. Por essas razões, é de suma importância a propagação de informações sobre esse método, com o intuito de diminuir o número de operações desnecessárias.

Portanto, faz-se imprescindível a realização de medidas que atuem contra os impasses presentes diante essa situação. Assim, cabe ao Governo, por meio do Ministério da Saúde, a criação de projetos que visem amplificar o número de partos humanizados no Brasil. Como exemplo, em parceria com o Ministério da Educação, a apresentação de palestras mediadas por profissionais da área de ginecologia e obstetrícia em escolas e faculdades. Não somente isso, deverão também, através do Ministério da Saúde, ser criadas campanhas em parceria com veículos de mídia social, que busquem informar a população sobre os benefícios desse tipo de parto.