Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 30/03/2021
Segundo Francis Bacon, filósofo inglês, o comportamento humano é contagioso, ou seja, torna-se enraizado e frequente à medida que se reproduz. Nesse sentido, a cesárea vem sendo uma opção de parto escolhida pela maioria das mulheres brasileiras, por mostrar ser um avanço na medicina e trazer a ideia de maior segurança por desinformação. Desse modo, medidas que ajudem a promover o parto humanizado, devem ser tomadas.
A princípio, é válido ressaltar a visão de que a cesariana é uma evolução da medicina. De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil é o segundo país com maior taxa de cesária do mundo, cerca de 55,5%. Sob esse viés, percebe-se que as famílias preferem esse tipo de parto por se sentirem mais confiantes e seguranças em um ambiente hospitalar, com médicos que podem ajudar a qualquer hora. Porém, o uso excessivo de tecnologia e intervenções durante o parto podem ter consequências negativas para a mãe e o bebê, como maior risco de infecções, complicações pós-parto, hemorragias entre outros. Nessa perspectiva, é evidente que a cirurgia pode salvar vidas, entretanto, de modo desnecessário, causa maiores perigos e consequências a longo prazo, deixando cicatrizes e possibilidades de problemas futuros.
Outrossim, é importante salientar a falta de informação. Os mitos criados de que o parto normal é mais arriscado, o bebê ser grande demais e a cesárea ser um procedimento totalmente indolor, contribuem com o medo e a ansiedade da mãe, fazendo com que muitas mulheres escolham a cesárea para o planejamento de um momento “perfeito”. Além disso, a popularização do procedimento fez com que ele ficasse muito conhecido e comum na sociedade, negligenciando os riscos da cirurgia. Diante do exposto, conforme a revista Exame, a cada 11 minutos uma mãe ou um bebê morrem durante uma cesárea, demonstrando a necessidade de uma resolução para o problema.
Depreende-se, portanto, que a mídia, importante veículo de opinião, deve divulgar os pontos positivos e as qualidades do parto humanizado, por meio de propagandas educativas, com o intuito de conscientizar as mães e famílias sobre o assunto. Além disso, o Poder Legislativo, responsável por elaborar e fiscalizar o conjunto de leis da sociedade brasileira, poderia criar uma lei que proibisse as cesáreas desnecessárias, investindo no acompanhamento durante o parto normal nos hospitais, a fim de incentivar um nascimento mais saudável natural. Assim, o desenvolvimento da sociedade poderá deixar de ser uma utopia.