Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 31/03/2021
Mais da metade das brasileiras (70%), deseja um parto normal no início da gravidez, mas com o tempo são desencorajadas. O medo da dor do parto normal e a imprevisibilidade do processo são os dois principais fatores que levam as mulheres a optarem pela cesariana. O Brasil é o 2.º lugar no mundo em percentual de cesarianas, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Enquanto a OMS sugere em até 15% o número de cesarianas em relação aos partos totais, na prática, essa percentagem chega a ser de cerca de 57%. Nesse contexto, deve-se analisar os problemas que traz o parto cirúrgico e a violência relatados pelas mães.
Primeiramente, o parto cirúrgico é mais da metade dos 2,9 milhões de partos anuais (55%) são cirúrgicos. De acordo com dados do Ministério da Saúde (2014), 40% dos brasileiros que vêm ao mundo na rede pública nascem dessa forma. A cesariana, quando não tem indicação médica, gera riscos irrelevantes saúde da mulher e do bebê: o parto prematuro aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e triplica o risco de morte da mãe. Cerca de 25% dos óbitos neonatais e 16% dos óbitos infantis no Brasil estão relacionados a prematuridade.
Além disso, a violência obstétrica– caracterizada por assédio moral ou físico, cortes e procedimentos invasivos realizados sem a autorização da mulher e outras categorias de violência – são frequentes. De acordo com a pesquisa Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre o parto e nascimento com coordenação da Escola Nacional de Saúde Pública e Fiocruz, 73% das mulheres que participaram da pesquisa não tiveram acesso a procedimentos não medicamentosos para o alívio da dor, como banho quente; apenas 26,6% dos recém-nascidos tiveram contato com a pele da mãe logo após seu nascimento e 40,9% das mães amamentou o bebê ainda em sua primeira hora de vida.
Portanto, os médicos, devem estimular, cada vez mais, a realização de métodos que promovam a humanização do parto e a sua realização de forma que a mulher se sinta com a maior autonomia necessária, respeitando seus desejos. E, além disso, devem ser estudados os motivos para a distorção do número de partos abdominais entre a rede pública ou privada, já que, normalmente, seriam semelhantes, visto que as indicações de cirurgias seriam as mesmas, e, após conhecer esses motivos, estimular, cada vez mais, o parto mais fisiológico.