Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 06/04/2021
Simone de Beauvoir, filósofa francesa publicou em 1949 o livro “Segundo o sexo” com reflexões baseadas na luta feminina contra a violência e em busca dos seus direitos. Em contexto atual, as mulheres continuam sendo violadas diariamente, uma vez que são inúmeros os desafios para promover a parto humanizado no Brasil. Esse cenário preocupante é resultado inegável de causas políticas e sociais que negligenciam esse tema. Assim, entre os fatores que aprofundam essa problemática, destaca-se a negligência governamental juntamente a ausência de conhecimento.
Primeiro, vale ressaltar que a negligência governamental é um desafio iminente no combate a violação feminina durante o parto, visto que o mesmo é muitas vezes induzido a cesariana, pois é um procedimento mais rápido e de mais valor monetário aos profissionais da saúde. Dessa forma, isso ocorre principalmente devido a mercantilização do procedimento, e a desinformação em relação às alternativas de partos e seus critérios. Essa ideia, no entanto, é análoga aos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), que 55% dos partos realizados no Brasil são cesarianas, nessa mesma pesquisa a OMS afirma que o ideal seria que esse percentual fosse reduzido para 10% a 15%. Com efeito, a falta de ações sobre o tema dificulta a reversibilidade do cenário.
Outrossim, a ausência de informações é mais uma dificuldade a ser rompida, dado que no início da gravidez 70% das brasileiras desejam um parto normal, mas com o tempo são desencorajadas, pois, não compreendem o procedimento. Obviamente, isso acontece porque não existem tantos debates, no meio social, dos quais discutam e esclareçam sobre o assunto, pois a cesariana quando não tem indicação médica, ocasiona em riscos desnecessários para a saúde da mãe e do bebê. Contudo, essa concepção é análoga à cartilha “Nossos corpos, nós mesmas” publicada pela primeira vez nos anos 1970 que afirmava: “Temos ignorado como nossos corpos funcionam, isso permite que os homens, em particular os profissionais nos intimide nos consultórios médicos e clínicas de todo o tipo.”
Torna-se imprescindível, portanto, a tomada de atitudes que mitiguem os efeitos do problema. Para isso, é papel do Governo federal investir através do Ministério da Saúde em divulgação das opções para as grávidas, pois é necessário informar e garantir os direitos básicos às mulheres, no intuito de prevenir os riscos e eliminar a desumanização diante os partos. Além disso, cabe a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), fiscalizar e regulamentar os serviços de saúde, punindo os profissionais que induza ou violem opiniões diversas as mulheres. Dessa forma, será possível humanizar o parto e garantir o direito da mulher.