Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 12/04/2021

A série de documentários, “O renascimento do parto” tem seu enredo marcado por depoimentos de famílias e de profissionais da saúde, os quais contam suas experiências com a realização da cesárea, uma prática, majoritariamente, desnecessária e desrespeitosa. Tal circunstância tem sido agravada no Brasil, visto que a desinformação e os estereótipos do parto normal auxiliam na escolha por uma cesariana irrefletida, trazendo efeitos negativos a mãe e ao bebê. Dessarte, faz-se necessária uma análise da problemática.

Em primeiro lugar, são visíveis os preconceitos diante do parto natural. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), espera-se que 85% dos nascimentos sejam humanizados, na sociedade brasileira, contudo, esse índice ainda não é uma realidade, representando 52% dos nascimentos. Nesse sentido, observa-se que a baixa taxa de partos normais é influenciada por pensamentos misógenos e errôneos, como “você não dará conta disso” ou “a dor é insuportável”. Tais afirmações contribuem para o elevado índice de cesarianas, as quais são vistas como mais fáceis e indolores. No entanto, esse procedimento, geralmente, efetuado de maneira invasiva e negligente, desrespeita o bebê e à parturiente - protagonistas na “arte do nascimento”.

Além disso, verifica-se a violência obstétrica com uma das características da tomotocia. Conforme a Lei do Sistema Único de Saúde de 1990, a integralidade é um princípio a ser seguido, na qual o bem-estar físico, mental e social do paciente é priorizado. Todavia, essa diretriz não é efetivada, uma vez que se opta, frequentemente, pela cesariana, independente das medidas estarem propícias para o parto natural. Sabendo disso, nota-se que a medicina obstétrica age de forma equivocada e agressiva, tratando a gestante e seu filho mal e desconsiderando o tempo do bebê, impondo padrões para aquilo que é natural. Desse modo, vê-se que, a autonomia e a liberdade são retiradas da mulher, quando essa decide pela cesariana.

Propõe-se, portanto, medidas que desconstruam e desmistifiquem o parto normal, estimulando a benéfica prática desse. Por isso, a OMS, em parceria com as Unidades Básicas de Saúde, deve promover campanhas de incentivo ao parto humanizado. Esse projeto será veiculado nas mídias radiofônicas, televisivas e sociais, sendo apresentado por médicos que explanem as vantagens e a importância do parto natural, bem como por ex-parturientes, as quais compartilharão seu processo na escolha pelo nascimento humanizado e suas experiências durante esse tipo de parto.