Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 26/04/2021
O documentário “O renascimento do parto”, reproduzido pela plataforma “Netflix”, evidência os benefícios do parto normal e humanizado para as mulheres e para os bebês. No entanto, essa não é uma realidade brasileira, pois a displicência estatal e a falta de visibilidade midiática são desafios à promoção da humanização desse momento.
Vale ressaltar, a princípio, que o poder público deve garantir o bem-estar da população brasileira. Contudo, o parto humanizado não é encarado como uma questão de saúde pública, uma vez que não há investimento governamental para atender as mulheres grávidas que não escolheram a cesariana, além de não fomentar o parto humanizado para todas as mulheres como forma de assegurar o direito à saúde, garantido pela Constituição federal de 1988.
Ademais, cabe saliente que a mídia exerce um papel essencial no que diz respeito à humanização do parto. Conforme o psicólogo social Gustave Le Blon, os aparatos midiológicos são responsáveis por controlar o pensamento e o comportamento dos indivíduos. A partir dessa perspectiva, é evidente que os estereótipos construídos em torno do parto normal advêm da ausência de informações divulgadas ao público. Dessa maneira, é preciso promover a ideia de que o parto humanizado é viável física e psicologicamente para a mãe e para a criança, haja vista que os métodos não são invasivos e há menos riscos de complicações, como infecções e a falta de oxigenação para o recém -nascido.
Infere-se, portanto, que é um objetivo imprescindível estabelecer uma consciência coletiva sobre a humanização do parto. Logo, é dever do Ministério da Saúde viabilizar a assistência médica às grávidas e incentivar o parto normal delas, mediante encontros com profissionais da saúde, além de campanhas midiáticas, na televisão e nas redes sociais, por exemplo, para que haja uma mudança no pensamento social. Somente assim, o parto será visto a partir de uma noção de (re) nascimento e de respeito à omnilateralidade humana.