Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 12/05/2021
De acordo com Hipócrates, médico grego considerado pai da medicina, o papel primordial dessa ciência é aliviar o sofrimento humano. Contemporaneamente, observa-se um excesso de intervenções cirúrgicas e farmacológicas no parto, consequentemente, esse evento tornou-se extremamente mecânico e artificial. Embora essa postura seja adotada no intuito de minimizar a dor resultada do parto, ela contraria o posicionamento de Hipócrates, na medida em que causa riscos desnecessários à mãe a ao bebê. Assim, é necessário humanizar a concepção no Brasil para melhorar a saúde pública. Para tanto, deve-se analisar as consequências e os desafios para implementação dessa modalidade.
Antes de tudo, é importante destacar os principais riscos decorrentes do parto cirúrgico, denominado cesárea. Segundo o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), a chance da gestante falecer em trabalho de parto humanizado é três vezes menor, além do risco da criança desenvolver algum problema respiratório ser 120 vezes mais baixa, em comparação com a cesárea. Ademais, os dados da ONU tornam-se ainda mais alarmantes devido ao aumento significativo do parto cirúrgico, tal fato foi denominado pelo mesmo órgão como epidemia das cesarianas. Isto posto, a saúde de milhares de mulheres e crianças encontra-se ameaçada pela disseminação dessa modalidade. Portanto, o Estado deve encontrar subterfúgios para implementar o parto humanizado e solidificar a saúde pública.
Por outro lado, deve-se analisar também os principais desafios para efetivar o parto naturalizado no Brasil. Dessa forma, a falta de conhecimento das mulheres e dos profissionais a respeito dessa modalidade, constitui-se como o principal catalisador dessa problemática. Além disso, faz-se relevante ressaltar a teoria das Instituições Zumbi elaborada pelo filósofo Zygmunt Bauman. Em síntese, o pensador compara as instituições sociais ao personagem ficcional zumbi, pois mesmo existindo elas não exercem seu papel eficientemente, na prática. Nessa perspectiva, diversas instâncias da saúde procuram informar a população e instruir os profissionais. Contudo, falham nesse processo.
Enfim, mediante o exposto, é mister que diligências sejam tomadas para solucionar esse entrave. Logo, cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com a Organização Mundial da saúde (OMS), formalizar as regras para realização do parto humanizado, que serão veiculadas na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Desse modo, os profissionais da saúde conheceriam mais sobre a prática, como, as condições de luminosidade e posições favoráveis, com o fito de harmonizar a operação. Bem como, esses órgãos devem disseminar campanhas midiáticas informacionais sobre o parto humanizado, combatendo o temor gerado pelo desconhecimento. Destarte, a concepção natural se difundiria no Brasil, aprimorando a saúde pública e garantindo o cumprimento do ofício médico de Hipócrates.