Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 09/09/2021

No documentário o Renascimento do parto são mostrados depoimentos de mulheres grávidas que sofreram algum tipo de violência obstétrica, como também, escolheram o parto humanizado. A não escolha por esse método é devido à desinformação por parte da parturiente a respeito desse, desinformação essa, fomentada, assustadoramente, pelos próprios médicos, acarretando problemas físicos e psicológicos tanto para a mãe, quanto para a criança. Desta forma é necessario que informações verídicas sejam divulgadas de maneira abrangente para que gestantes tenham o direito de escolher a forma de parir.

Em primeiro plano, com o avanço da tecnologia, inclusive na medicina, o ato de parir, natural para qualquer fêmea, foi mecanizado e desumanizado, fazendo com que a mulher torna-se insegura e consequentemente influenciável por opiniões e posicionamentos incorretos. No documentário citado, mães relatam que frases como: você é corajosa por querer parto normal ou você é muito pequena e seu bebê é enorme, amendrontam e desencorajam a escolha de um processo humanizado para trazerem seus filhos ao mundo. Ademais, pode-se dizer que o terrorrismo a cerca do parto normal no Brasil não é relacionado à um problema de classe econômica menos privilegiada, haja visto, que o número de cesarianas realizadas no Brasil no setor privado é maior do que no público.

Cesarianas, segundo a OMS, são procedimentos cirúrgicos que necessitam de indicação médica, pois envolvem riscos para a saúde da paciente. Infelizmente, o corpo médico, o qual deveria alertar a população sobre os riscos da cesariana, faz justamente o contrário ao indicar a cesariana por conveniência, uma vez que essa é feita em menor tempo, pode ser agendada e a remuneração é maior em comparação à outros métodos. Há mercantilizacão do parto é um termo que caracteriza o momento mais importante para mãe como uma mercadoria, que quanto mais procedimentos forem realizados, maior o lucro, sendo a cesariana perfeita para maximizar tal processo. O fruto desse mercado são mães mutiladas, como em alguns casos de episiototomia, e traumatizadas por terem sentido medo, dor desnecessária e desamparadas na hora de parir.

Portanto, para devolver o direito da mulher de decisão sobre seu próprio corpo, é necessário que o Ministério da Saúde, em parceria com Universidades, em especial as da área de saúde, divulguem informações, com respaldo científico, a respeito do parto humanizado, esclarecendo o que é esse processo, vantagens para às mães e filhos, por meio de cartilhas, panfletos e palestras, para que a mulher detenham tais informações e não sejam intimidadas pelo medo e possam parir seus filhos de modo desejado e responsável.