Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 25/05/2021

Hoje é muito falado sobre o exagero das cirurgias plásticas feitas, é um mercado que movimenta muito dinheiro, pelo simples fato de que, cirurgias, de modo geral, custam caro- exigem profissionais qualificados, ambiente adequado, equipamentos, entre outros. Seguindo o mesmo movimento, o mercado de nascimentos tem depositado muita energia para que o número de cesárias ultrapasse o de partos normais, em outras palavras, ele tem priorizado o dinheiro no lugar da vida,  no momento que ela deveria ser protagonista. Por isso, debate-se atualmente os desafios para promover o parto humanizado no Brasil, já que as cirurgias estão tomando proporções exorbitantes, pois a indústria do nascer está desromantizando o parto.

Em primeiro plano, é evidente que, porque a cirurgia é mais lucrativa, ela será mais recomendada, mas assim como acontece nas estéticas, poucos são os casos que necessariamente precisariam da cesária. Este cenário- de um número maior de cirurgias- desumaniza o nascer pois traz sofrimentos desnecessário à mãe, como a dor do corte, a qual impossibilita a mobilidade- que seria preciso para cuidar plenamente de uma nova vida. Logo, tal recomendação imprudente, feita apenas por dinheiro, afinal cesáreas deveriam ser o plano b para quando o neném não consegue nascer por via natural, é um dos desafios para a promoção do parto humanizado no Brasil, já que não existe nada de humano no sofrimento que poderia ser evitado caso o plano a fosse realizado.

Ademais, além da incapacidade física promovida pela cirurgia, a puérpera ainda pode passar pela violência obstétrica no processo do parto, a qual é fruto da desromantização feita pela indústria. Isso porque, por mais absurdo que seja, técnicas absusivas são normalizadas atualmente, como impedir a aplicação de medicamentos para aliviar a dor, com a desculpa que atrasa o trabalho de parto- cientificamente não há estudos suficientes que comprovem o atraso. Essa é, na verdade, uma falsa tese proposta com o intuito de popularizar a cesárea, pois a violência obstétrica normalizada é um dos obstáculos na humanização do nascer. A consequência disso é o afastamento da grávida de uma gravidez saudável, fazendo prevalecer a visão- promovida pela indústria que quer lucrar- que o parto normal é apenas sofrimento e não pode ser uma experiência boa.

Portanto, é enfatizado que os desafios para promover o parto humanizado no Brasil existem. Porém, é possível superá-los, para isso o Ministério da Saúde deve promover campanhas de conscientização da humanização do nascer, através de folhetos, os quais podem ser oferecidos à grávida logo na primeira consulta pré-natal, com a finalidade de diminuir esses obstáculos, que dificultam a humanização do parto no país.