Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 27/06/2021

Ao contrário do que recomenda a OMS -Organização Mundial da Saúde- acerca da humanização do parto, há uma grande incidência,no Brasil, de intervenções excessivas e desnecessárias no processo fisiológico do parto.Por conseguinte, tais medidas reverberam não só em prejuízo à autonomia da mulher, que deve deter o poder de decisão em relação ao nascimento do seu bebê, como também podem expor danos ao recém nascido e,por isso, urge a mudança desse cenário. Ademais, têm-se como principais impasses para a importante humanização: a medicalização do parto e a violência obstétrica recorrente.

Em primeiro lugar, a medicalização do parto- ampliação de ações médicas, tornando eventos considerados fisiológicos em anormalidades e patologias- transformou a experiência de dar à luz em um evento cirúrgico, em que a mulher passa a ser sujeita a práticas mecanizadas e em decorrência do alto intervencionismo a assistência obstétrica, muitas vezes, apresenta um contexto desumano e hostil.Nesse contexto, dados da OMS reverberam essa medicalização, uma vez que o Brasil é o segundo país que mais realiza cesáreas, com uma taxa maior que 55%, sendo que a taxa recomendada é de somente 15%. Desse modo, a medicalização é intrínseca à grande incidência de cesarianas.

Somado a isso, a violência obstétrica reverbera uma forma específica de violência de gênero, uma vez que há utilização arbitrária do saber por parte dos profissionais de saúde no controle dos corpos.Nesse sentido, o documentário “O renascimento do parto” ratifica tal violência expondo os relatos de mães que sofreram esse tratamento desumanizado e suas respectivas consequências, tais como procedimentos feitos e não comunicados, a exemplo da episiotomia- consiste em uma incisão no períneo para facilitar a saída do bebê- afetando posteriormente na vida afetiva e sexual da mulher. Com efeito, urge a mudança no modelo obstétrico atual visto que, uma em cada quatro mulheres - segundo o estudo “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado”- sofrem violência obstétrica.

Em suma, percebem-se os malefícios dos desafios para a promoção do parto humanizado. Portanto, compete ao Ministério da Saúde promover programas eficazes de assistência e humanização - tais como a Política Nacional de Humanização (PNH)- que busca ampliar o atendimento integral com acolhimento ao paciente- mediante a gestão participativa entre os diversos profissionais da saúde, na perspectiva de mitigar a medicalização do parto e promover o protagonismo da parturiente. Além disso, a Febrasgo - Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia - deve promover ações, por intermédio de congressos, com o fito de elucidar práticas de violência obstétrica - a exemplo da episiotomia sem necessidade- para erradicá-las. Assim, ter-se-á uma realidade próxima da recomendada pela OMS.