Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 18/06/2021
De acordo com dados divulgados pela Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), o percentual de mulheres que realizaram cesarianas foi de 53,7% no Brasil no ano de 2011. Esses números refletem uma problemática ligada a promoção do parto humanizado intrínseca na realidade brasileira. Nesse contexto, a humanização do parto é um desafio que persiste devido, não somente a precariedade no sistema de saúde, mas também à falta de informações sobre o assunto.
Desse modo, em primeira análise, o negligenciamento ante a saúde pública torna-se um empecilho para a resolução do problema. De acordo com dados do Tesouro Nacional, atualmente, o investimento em infraestrutura mostra-se muito baixo. No entanto, sem infraestrutura não há como atuar na promoção para humanizar o parto no Brasil, que encontra-se de forma precária, uma vez que é um processo mecanizado e técnico incapaz de promover uma assistência acolhedora (que cuide também de aspectos emocionais) para as gestantes, o qual enraiza-se na falta de treinamento médico e na deficitária estrutura hospitalar. Assim, a priorização do dinheiro público em outros setores ou demandas atua impecilhando na intervenção do problema e, dessa forma, afetando milhares de mulheres.
Outrossim, o baixo conhecimento sobre o assunto configurasse como um grande impasse para a resolução da problemática. Nesse sentido, o filósofo Schoupenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se a população não tiver acesso à informações sobre o parto, sua visão sobre ele será limitada, o que exemplifica-se no elevado número de escolhas pelo parto cesariano, por esse parecer uma alternativa menos dolorosa e mais segura, enquanto na verdade pode por em risco a saúde do bebê, ou até mesmo sua vida. Sob esse viés, as baixas informações dificultam a erradicação do problema.
Portanto, a fim de solucionar esse problema, cabe ao Ministério da Saúde reverter a situação, destinando investimentos aos hospitais para prover aos médicos e funcionários da área da saúde treinamentos, para que instruam e expliquem para as gestantes sobre os processos e riscos do parto, tornando, assim, esse momento mais humanizado e consciente. Logo, dados como os informados pela UFMS seriam o reflexo de uma escolha de mulheres informadas, e não mais a consequência de um problema social.