Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 24/06/2021
A lei N° 8080 instituiu o Sistema Único de Saúde no Brasil, esse, visa a promoção, proteção, recuperação e integralidade da assistência no âmbito da saúde. No entanto, em relação à saúde da mulher, especificamente no período gestacional, tem-se a objetificação da gestante, juntamente com a mercantilização do parto que contribuem para a falta de promoção de uma saúde integral e humanizada às parturientes. Tal realidade precisa ser mudada para que mulheres e crianças tenham todo apoio e sejam tratadas dignamente pelos profissionais de saúde.
Em primeira instância, cabe ressaltar que a visão objetificada da mulher na hora do parto é uma questão a ser discutida. Nesse aspecto, a filósofa Simone de Beauvoir em seu livro, " O segundo sexo", afirma que na gravidez e na maternidade, as mulheres perdem a noção do “eu” e se tornam instrumentos passivos, de modo que seus desejos e liberdade são ignorados e são rebaixadas a meros úteros que carregam bebês. Essa narrativa acentua a problemática do tratamento indiferente num momento que deveria ser de cuidado e compreensão, o que pode acarretar no levante de comportamentos extremistas, como a violência obstetrícia. Tal visão instrumentalizada sobre a mulher precisa ser erradicada para que a humanização do parto seja uma realidade.
Ademais, a falta de informações e apoio dos médicos para optar pelo parto cesário é um dos motivos pelo qual o parto humanizado é, muita das vezes, renunciado. A exemplo disso, dados da revista Abril mostram que, no SUS, a cirurgia é feita em 56% dos nascimentos, enquanto na saúde suplementar ultrapassa os 80%. Isso se dá pelo fato da cesariana ser mais custosa e poder ser programada, o que traz mais benefícios aos médicos do que às mães e crianças. Porém, com esse estilo de “parto industrial”, um momento que antes fora de grande conexão, é tido hoje como uma produção, em que a racionalidade é posta acima da animalidade.
Diante disso, é essencial que as formas de conduta médica sejam revistas e que a medicina humanizada seja uma realidade e majoritária no sistema de saúde brasileiro. Então, o Estado, por meio do Ministério da Saúde, deve criar regras para a realização de partos cesarianos eletivos, de modo que a cirurgia apenas seja feita em última instância e em casos específicos ou de riscos. É importante, também, que instruções devem ser passadas às parturientes, por meio de palestras com profissionais nos horpitais a fim de que essas sejam informadas da importância do parto humanizado e saibam lidar com a situação. É esperado que, com regras e informações colocadas em práticas e sendo expostas, uma medicina integrada seja uma realidade, assim como é garantida na lei do SUS.