Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 30/06/2021
Na microbiota vaginal, há a presença de microorganismos que contribuem para o recém-nascido decorrente de partos normais. No entanto, tal prática se encontra cada vez mais rara, que, tendo em consideração a insegurança hospitalar, como também pela crescente comercialização social, que tem como fator a opção da cesárea ao invés da forma natural.
Diante desse cenário, vale ressaltar as mazelas do Sistema Único de Saúde na oferta dos parto - em destaque, as práticas intervencionistas desnecessárias à mulher. A esse respeito, é notório a ineficácia no repasse de cuidados às gestantes em “dar a luz”, que, em muita das vezes, é agravado pela ausência de investimentos nesse meio, seja em médicos mais capacitados ou melhor suporte clínico. Dessa forma, alusões expostas pelo sociólogo Zygmunt Baumer na conceituação de Instituição Zumbi, destacam o Estado como um zumbi, ou seja, vivo, porém, sem exercer suas funções constituicionais, e, por isso, a maior escolha de partos cesáreos em clínicas particulares.
Outrossim, a mercantilização de procedimentos nesse tema tem como fator o repúdio ao processo discutido de forma natural. Nesse sentido, o livro Sociedade do Espetáculo de “Guy Debord”, expõe o capitalismo como motor da sociedade. Em paralelo a esse quadro, verifica-se sua veracidade nesse tema, uma vez que o parto cesáreo, em razão da sua maior arrecadação de dinheiro, é dinamizado como um produto, seja nas mídias ou em propagandas de clínicas, de forma positiva e normalizada. Logo, por esse mecanismo capitalista associado a essa ação - ressaltado por Debord -, o procedimento natural é crescentemente desvalorizado.
Fica clara, portanto, a necessidade de medidas que valorizem esse tema. Para que isso aconteça, é mister que o Ministério da Saúde invista em um melhor acompanhamento e segurança à mulher nesse processo de “dar a luz”. Além disso, é de suma importância que o Ministério da Educação informe à população dos benefícios do parto humanizado por intermédio de publicações nas redes sociais. Tal iniciativa, inserida em plataformas, como Facebook, Instagram, tem como objetivo de valorizar o parto humanizado e, com isso, a ocorrência de recém nascidos mais saudáveis visto a passagem pela microbiota vaginal.
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