Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 08/07/2021

No filme “Coringa”, é retratado a vida de Arthur Fleck, o qual necessita de tratamento psíquico adequado, mas que é negligênciado tanto pelo Poder Estatal, como pela sociedade em si. Logo, percebe-se que a trama fictícia possui representação nos desafios para promover o parto humanizado no Brasil, haja vista que acontece por falta de políticas públicas e de consciência de grande parte da população. Nesse viés, compete a avaliação crítica em torno das causas do contratempo.

Em primeiro plano, é fulcral salientar que o filósofo Jean-Jacques Rousseau afirma que o Estado se responsabiliza pelo estabelecimento de condições básicas ao promover o bem-estar do âmbito populacional. Entretanto, a perspectiva defendida pelo intelectual não se concretiza na realidade hodierna, a julgar pela falta de políticas públicas para a intermediação do parto humanizado. Em vista disso, o Ministério da Saúde não oportuniza com eficiência dentro das áreas necessitadas, a humanização do parto, além disso, o alto índice de cesarianas atual no Brasil segundo o mesmo Ministério, exemplifica o cenário descrito. Por conseguinte, percebe-se que o Poder Governamental, ao não efetivar o pensamento de Rousseau, favorece uma das causas do problema.

Ademais, é necessário reconhecer como o panorama anterior é capaz de limitar a própria compreensão de cidadania do indivíduo. Posto isso, Raul Seixas se mostra pertinente em sua música “metamorfose ambulante”, que consiste na consciênica de que as ideias podem ser mudadas e modificadas conforme as experiências e a forma de relacionamento com os outros e com o mundo. Desse modo, ao passo que a conjuntura social não detém muito conhecimento sobre a humanização do parto, a grande maioria não opta pelo mesmo, o que acarreta em um processo fisiológico onde pode haver consequências que comprometerão a saúde física e emocional dos envolvidos. Assim, a falta de campanhas de divulgação do parto humanizado não pode ser aceita em nome do zelo pelo bem grupal.

Diante dos argumentos supracitados, medidas são necessárias a fim de mitigar essa problemática. Para isso, o Ministério da Saúde deve promover a ampliação da ambientação para um parto humanizado nos hospitais, com a finalidade de ofertar mais essa modalidade, de forma a aumentar a evasão às cesarianas e contornar os altos números das mesmas. Analogamente, caberá ao Ministério das Comunicações estimular através de veículos midiáticos e televisivos, campanhas informacionais à respeito dos benefícios e como é o parto humanizado. Tais medidas serão feitas a partir de verbas da União, provenientes do fundo rotativo orçamentário. Dessa forma, os desafios para promover o parto humanizado no Brasil serão intermediados na contemporaneidade.