Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 23/07/2021

Com o avanço da medicina e o ingresso da figura médica nos partos, ao longo dos últimos anos, as formas e as práticas nesse momento vem sendo modificadas. Apesar da importância das novas tecnologias e dos avanços que elas proporcionaram, há uma preocupação com a perda da humanização e do zelo com o parto e com a mulher. A cultura da cesária e a crescente violência obstétrica são exemplos de desafios e aflições que o Brasil enfrenta na atualidade.

Nesse contexto, no documentário da Netflix, “O Renascimento do Parto”, especialistas abordam em que sentido os avanços obstétricos podem ser preocupantes. Citam a massificação da cesáriana, estabelecida como algo fácil e prático por não sentir dor, ser rápido e poder escolher a data do nascimento, por exemplo. Porém, muitas vezes realizada por conveniência, por ser mais rentável para o médico. Logo, eles deixam de informar os riscos às pacientes e negligênciam os casos em que a          cesariana não é necessária.

Além disso, com a medicalização do parto no século XX, deixando de ser domiciliar, intimista e entre mulheres, a sociedade ocidental adotou uma visão masculinizada do corpo feminino e do parto, devido à entrada da figura do médico. Reproduzindo o que a pesquisadora, Robbie Davis-Floyd, tipificou como modelo tecnocrático, no qual a tecnologia e a mecanização transformou a mulher de sujeito para objeto no processo. Retirando o caráter sensível e emotivo do evento, substituindo pela institucionalização do parto. Esses fatores culminam na violência obstétrica, responsável por muitas mulheres considerarem gravidez sinônimo de sofrimento.

Desse modo, é necessário que haja medidas para que esse cenário mude. Cabe ao Ministério da Saúde (MS) manejar investimentos para melhoria das clínicas e centros exclusivos de atenção à gestante. Eles devem contar com protocolo de atendimento humanizado, através de processos seletivos específicos que visam encontrar profissionais aptos e engajados na humanização do parto. .Além disso, cabe também ao MS a realização de campanhas publicitárias que propaguem o conhecimento sobre o parto humanizado, a fim de que mais mulheres conheçam seus direitos, para combater a negligência médica e a violência obstétrica, essa ação deve ser realizada por meio de propagandas em canais abertos de televisão e pelas redes sociais.