Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 10/08/2021

É insofismável que o Brasil cresce cada vez mais em termos de tecnologias. Contudo, no que tange a esfera da saúde brasileira, muitas calamidades ainda são recorrentes- como a falta de assistência à gestante. Tal problemática configura um cenário de dificuldade à implementação do parto humanizado devido à falta de informação de muitas mulheres sobre o direito e aos custos da escolha pela humanização do parto.

Nesse sentido, é válido ressaltar que a escolha do tipo de parto pelas gestantes se torna cada vez mais difícil, principalmente para aquelas menos abastadas de informações. Isso significa que, permeado por dúvidas e inseguranças, o suporte e orientação de uma equipe médica dignos são imprescindíveis às mulheres, que, ao receberem tratamento inferior, não questionam nem exigem uma intervenção adequada por não saberem que têm o direito garantido pelo PHPN (Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento). Para ilustrar essa dicotomia, no filme “Minha mãe é uma peça 2”, Marcelina -mesmo com objeções familiares e segura com a sua orientação médica- opta por dar à luz em casa ao invés de em um hospital por temer os -popularmente conhecidos- métodos artificias e hostis usados pelas instituições hospitalares. Em contrapartida, fora das telas, realidades como a da personagem são dificilmente vividas, visto que a omissão médica quanto ao direito da mulher é recorrente no Brasil.

Além disso, é preciso salientar que o conceito de parto humanizado, quando conhecido, é inacessível financeiramente. Isso ocorre porque há uma parcela de mulheres que, apesar de informadas acerca dessa alternativa, ainda não conseguem pagar por ela, uma vez que se trata de uma opção de alto custo e que apenas grandes hospitais oferecem. Como exemplo disso, segundo notícia da Folha de São Paulo, em 2017, em Pernambuco, a cobrança de preços abusivos pelo parto humanizado foi investigada. Tal fato ratifica a precificação do parto humanizado como um grande impasse para efetivação da prática no Brasil.

Sendo assim, visto que o parto humanizado no Brasil é impedido pela falta de informação e pelos altos preços cobrados, tais desafios precisam ser superados. Para isso, urge que o Ministério da Saúde consolide o PHPN e o divulgue como direito irrevogável das gestantes, e controle as taxas cobradas pelos renomados hospitais. Isso deve ser feito por meio de propagandas informativas -veiculadas principalmente em transportes coletivos e em grandes praças públicas- e mediante a introdução do método humanizado gratuito na rede pública. Assim, o atendimento de excelência será amplamente difundido às gestantes, independente da situação financeira.