Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 16/08/2021
Segundo a Organização Mundial de Saúde, o parto por cesária é recomendo somente em casos de risco ao bebê ou à mãe. Todavia, no Brasil, de acordo com essa instituição, a quantidade de partos por cesária é 4 vezes maior que a recomendada. Nesse prisma, nota-se que, na contemporaneidade, há desafios para promover o parto humanizado no país. À luz desse enfoque, torna-se fulcral ressaltar que essa perversa realidade tem raízes na inoperância estatal e na letargia social.
Diante desse cenário deletério, cabe salientar, precipuamente, a indiligência governamental no espectro brasileiro. Nesse viés, em conformidade com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, algumas instituições, na pós-modernidade, configuram-se como zumbis, pois largaram suas respectivas incumbências sociais. Dentro dessa lógica, é possível observar que o Ministério da Saúde se tornou uma corporação zumbi, dado que não apresenta êxito perante as ações e políticas públicas. Isso é perceptível, lamentavelmente, seja pela carência de campanhas de conscientização acerca dos riscos das cesárias sem recomendação médica, seja pelo pouco espaço destinado ao debate dos benefícios do parto humanizado na saúde mental e física dos envolvidos. À vista disso, infere-se que a ineficácia da máquina administrativa estatal é um desafio ao inviabilizar ações concretas que resolvam o tema e cerceiar as grávidas a uma realidade de riscos corporais e mentais durante o parto desumanizado.
Além dessa mácula governamental, também são preocupantes as origens e consequências da ignorância social. De certo, mediante aos dogmas do filósofo espanhol Adolfo Vázquez, o aumento da frequência de um determinado evento fomenta, erroneamente, sua naturalização. Com efeito, é indubitável que, infelizmente, há uma simetria entre essa ação indiferente e a realidade, haja vista que os brasileiros normalizaram o parto mecanizado por cesária, o que gerou frutos como preconceitos que fazem as grávidas, que optam pelo parto natural, mudarem de opinião ao longo da gestação e preferirem um parto sem esforços, além da banalização de partos humanizados. Isso posto, depreende-se a grande importância da atitude do corpo social, porquanto, enquanto a sociedade for inerte, o parto natural será desprezado e os efeitos negativos do parto por cesária continuarão no Brasil.
Dessarte, fica claro que a gênese desse revés tem suas fundações na inoperância estatal aliada à ignorância social. Assim, o Ministério da Saúde deve fazer campanhas de conscientização acerca dos riscos das cesárias sem recomendação médica e dos benefícios do parto humanizado na saúde mental e física dos envolvidos, por meio de mídias de ampla abrangência, como blogs em redes sociais, a exemplo do Instagram e do Facebook, a fim de fazer com que o corpo social deixe sua inércia e volte a prezar pelo parto natural. Espera-se, com isso, que as cesárias não tragam riscos às grávidas no Brasil.