Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 16/09/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º o direito à saúde e bem-estar como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado efetivamente na prática quando se observa o pouco apoio dado às mulheres no parto humanizado, dificultando, desse modo a universalização esse direito social crucial. Diante disso, cabe analisar os fatores que favorecem esse lastimável quadro.
Convém ressaltar, primeiramente, a baixa quantidade de partos humanizados em comparação com a cesariana, de acordo com os dados do Ministério da Saúde. Tal situação se deve majoritariamente pela falta de incentivos e debates sobre a questão do parto humanizado e o desencorajamento dado às mulheres pelo ambiente social, tal como o medo quanto a dor, afetando diretamente a relação da mulher com a criança que não recorre a este método, que só não é adequado quando se há um risco de morte por parte da gestante ou do filho. Assim, a falta de debates perpetua essa realidade.
Ademais, a omissão da mídia quanto aos desafios do parto humanizado ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Nesse viés, o filósofo Foucault defende que na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, pode-se observar que a mídia, em vez de promover matérias que elevem o nível de informação da população sobre os benefícios do parto humanizado e o seu menor risco às gestantes, acaba contribuindo com o aumento da falta de conhecimento da população sobre o parto humanizado, influenciando na consolidação do problema. Sendo assim, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Entende-se, portanto, o baixo apoio dado ao parto humanizado com sendo um obstáculo de raízes culturais e legislativas. Logo, é necessário que a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência discuta o assunto com psicólogos especialistas na área, com o objetivo de apresentar os benefícios do parto humanizado para a mãe, apresentar uma visão crítica aos espectadores a respeito do impasse. Essa medida ocorrerá por meio da elaboração de um projeto estatal, em parceria com o Ministério das Comunicações. Assim, o direito ao bem-estar e saúde garantido pela Constituição será promovida adequadamente.