Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 22/09/2021
A obra cinematográfica “Mãe!” retrata a história de um casal que tem sua casa invadida por forasteiros que tentam impor suas vontades à personagem grávida interpretada por Jennifer Lawrence. Similarmente ao filme, as grávidas brasileiras tem sofrido com a imposição de práticas desumanas no parto. Nesse viés, a solução do problema se depara com os desafios da praticidade que esse tratamento objetificado traz ao sistema, e a visão equivocada que a sociedade tem desse processo. Urge, logo, medidas do Estado que visem a garantia da humanização do parto no país.
Nesse contexto, a rapidez que um tratamento menos humano gera ao procedimento do nascimento faz com que se perpetue essa ação. Como exemplo, há o parto por cesariana, que mesmo sendo recomendado pela Organização da Saúde apenas em casos de risco para a mãe e o bebê, é o que mais ocorre no Brasil de acordo com o portal de notícia da Agência Fiocruz. Dessa forma, devido ao tempo otimizado, porquanto que não é necessário esperar as fases do trabalho de parto, muitos médicos e mães escolhem esse método. Entretanto, além desse procedimento ser evasivo, tem altos riscos de complicações, como o choque anafilático-devido ao uso de anestesia- e infecções.
Ademais, a sociedade colabora com esse triste estado do parto quando incentiva práticas não humanizadas. Isso se deve, inicialmente, a ideia de que procedimentos cirúrgicos são mais seguros. Desse modo, os familiares visando a proteção, aconselham as mães à optarem pelo parto cesária. Em segunda estância, há o preconceito, principalmente às progenitoras jovens, quanto a gravidez precoce. Sendo isso visto com “maus olhos” pela população, essas adolescente, que chegam a mais de 400 mil por ano consoante a um levantamento do Sistema Único de Saúde feito em 2009, são tratadas com aridez e desdém, sofrendo também mais que o natural ao dar vida.
Diante desse quadro, fica claro a necessidade de superar os desafios que a facilidade e concepção social do parto invasivo são para a humanização do nascimento. Para isso, o Ministério da Saúde deve promover um parto mais humano por meio da criação de um órgão de suporte às grávidas. Esse órgão deve contar com psicólogas e assistentes sociais que acompanharão essas mães, dando apoio emocional e orientando sobre o que é considerado melhor para seu bem estar e saúde. Com efeito, elas terão um tratamento melhor e mais autônomia para decidir como será seu parto.