Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 06/10/2021

O parto humanizado tem tido cada vez mais adeptas pelo mundo que buscam um processo mais confortável para dar à luz aos seus filhos. No entanto, tal prática ainda encontra desafios para se expandir de forma igualitária no Brasil, sobretudo pela imposição de métodos tradicionais na maioria dos hospitais, os quais, geralmente, não possuem estrutura e profissionais treinados para priorizar o bem-estar da mãe. Desse modo, é fundamental promover a humanização desse momento delicado na vida das mulheres, oferecendo o suporte adequado às mesmas para que tenham a experiência mais agradável e menos invasiva possível.

Primeiramente, é fato que há uma tendência no país para a realização de cesárias, mesmo não sendo, em muitos casos, o método ideal. Nesse âmbito, esse procedimento, além de ser cirúrgico, é muito invasivo e leva um longo período de recuperação. Contudo, para alguns médicos, essa escolha passa a ser mais vantajosa por ter menor duração e ser mais lucrativa, fazendo com que os mesmos tentem influenciar as futuras mães a optarem por essa via, ainda que não seja o recomendado, ignorando os riscos desnecessários para as gestantes.

Além disso, a violência obstétrica é relativamente comum quando não há a humanização do parto, o que causa traumas para muitas mulheres. Nesse sentido, a episiostomia é um dos procedimentos que se encaixa nesse aspecto quando realizado sem a autorização da paciente, consistindo em um corte feito entre a vagina e o ânus para facilitar a passagem do bebê e agilizar o parto normal, levando um longo e doloroso período para que se concretize a cicatrização. Logo, é preciso que sejam priorizadas as escolhas da mãe, a qual não deve ser desrespeitada nesse momento importante, em que está extramamente vulnerável.

Portanto, ações para viabilizar a ampliação do parto humanizado no Brasil devem ser implementadas. Para tanto, cabe aos governadores de todas as unidades federativas brasileiras fomentarem um plano de reformulação de maternidades tradicionais em humanizadas a partir do treinamento ministrado por especialistas no assunto para médicos ginecologistas, obstetras e enfermeiros acerca de como respeitar os desejos das grávidas desde o pré-natal até o nascimento da criança, além de oferecer ajuda psicológica durante toda a gestação, para que as futuras mães estejam mais tranquilas quanto às suas escolhas e mais a vontade para parir.