Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 29/10/2021
O prisma pelo qual o ser humano enxerga a vida altera-se com o passar do tempo e com a evolução da sociedade em geral. Entretanto, algumas coisas regridem ao invés de melhorarem, como é o caso dos partos que, no Brasil, são cada vez menos humanizados. Desse modo, as cesárias são conhecidas por serem mais seguras, o que é uma falácia e, além disso, os profissionais da saúde recebem mais quando fazem esse tipo de procedimento, o que é mais um empecilho para a humanização dos partos no país.
Cabe destacar, em primeiro lugar, que as cesárias são popularmente divulgadas como sendo procedimentos muito mais seguros do que os partos normais, entretanto, isso não é verdade. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada 10 mil partos o número de mulheres que vêm a falecer sobe de 2, em partos normais, para 7 mulheres que decidem fazer cesária. Todavia, ao longo da gravidez, muitas mulheres que gostariam de escolher o parto normal são induzidas e mudar de ideia por ser menos doloroso, o que nem sempre é verdade.
Ademais, é possível ressaltar ainda que os médicos e outros profissionais de saúde recebem por uma cesária quase o dobro do que ganhariam ao fazer um parto normal, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar. Dessa maneira, os próprios médicos também influenciam as mães a optarem pela intervenção médica durante o parto, situação que afasta a humanização do parto. Segundo OMS, a porcentagem adequada de cesárias é próxima de 15%, enquanto dados do Ministério da Saúde revelam que essas representam 40% dos partos.
Torna-se evidente, portanto, que a desumanização do parto é extremamente danosa para as mães e para os bebês. Desse modo, o Ministério da Saúde deve estabelecer regras para que a cesária seja feita somente em casos de risco como recomenda a OMS, assim, pode-se reduzir o número de cirurgias feitas no SUS. A partir dessas medidas, os desafios para a humanização do parto serão abrandados.