Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 17/03/2022
O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusa-vam a observar a verdade, em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito as dificuldades da realização do parto humanizado. Neste contex-to, percebe-se a consolidação de um grave problema, em virtude dos altos índices de cesárianas e da educação deficitária.
Convém ressaltar, a princípio, que os altos índices de cesárianas são fatores
determinantes para a persistência do problema. De acordo com os dados do Minis-
tério da Saúde, em 2011, cerca de 50% dos partos no Brasil foram cesárias, porém,
somente até 15% é admissível pela Organização Mundial da Saúde, observando um
alto índice de procedimentos desnecessários. Sob essa lógica, em grande parte dos
casos, os médicos influenciam a cirurgia, mesmo sem necessidade, pela rentabili-dade a ser adquirida. Dessa maneira, é necessário reconhecer quais são as reais
necessidades de se realizar uma cesária, para evitar mais vítimas da falta de profis-
sinalização de determinados obstétras.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão da educação deficitária,
Segundo o filósofo Immanuel Kant, “O ser humano é aquilo que a educação faz
dele”. Logo, se há um problema social, então, há como base uma lacuna educacio-nal. Dessa forma, percebe-se a forte influência dessa causa, uma vez que a escola
não debate acerca dos problemas que possam ser enfrentados pelos alunos futu-
ramente, como a violência obstétrica, que está cada vez mais presente na nossa sociedade. Portanto, sem diálogo sério e massivo, a resolução da questão é impe-dida.
Sendo assim, medidas estratégicas são necessárias para alterar este cenário. Diante disso, cabe às escolas alertarem os alunos, principalmente os adolescentes, sobre como evitar a violência obstétrica, por meio de palestras com especialistas no assunto - como obstétras de confiança, a fim de conscientizá-los sobre as ações
que devem ser tomadas quando observar determinada situação de violência. So-mente assim, a população sairá de sua zona de conforto e será consolidado um Brasil com partos humanizados.