Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 13/04/2023
O Renascimento, movimento intelectual e artístico ocorrido durante a transição da Idade Média para a Idade Moderna, valorizou o estudo do corpo humano, influenciando técnicas de medicina e o surgimento do parto cesariano. Esse cenário manifesta-se na hodierna substituição do parto humanizado, ocorrendo tanto de forma deficitária, sem propagar informações concretas tangentes a ele, quanto de forma preconceituosa, banalizando-o, sem observar seus efeitos positivos. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa conjuntura.
De início, pode-se analisar o pensamento do filósofo John Locke, que defende que o ser humano nasce como uma “folha em branco” e precisa de conhecimento externo para se desenvolver integralmente. Nesse viés, a educação sobre o corpo - processos de parto e gravidez - deve ser estimulada e ampliada para formar cidadãos conscientes e engajados. Esse panorama, entretanto, não ocorre porque a maioria das instituições educacionais, ambientes imprescindíveis para a construção dos saberes, negligenciam a disponibilidade de informações referentes ao parto humano, não abordando seus benefícios e funções na recuperação da gravidez, prolongamento do estado de saúde e conexão mãe-filho, impedindo que as pessoas escolham a forma de parto mais saudável e eficiente.
Ademais, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cirurgia cesariana apenas é indicada em situações que colocam em risco a saúde da gestante e do bebê. Nesse sentido, a banalização do parto humanizado - que foi depreciado depois do surgimento de novas tecnologias - criou a normalização de um cenário caracterizado por um tipo de parto invasivo, de caráter agressivo e arriscado, dificultando a óptica positiva de visualização do parto natural.
Verifica-se, então, a necessidade de mitigar os desafios para promover o parto humanizado no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação e da Cultura, por intermédio de campanhas educacionais e palestras abertas à população, deve elucidar a importância do parto natural para a saúde, a fim de disseminar conhecimento para os indivíduos. Além disso, o Estado e os profissionais de saúde devem colaborar juntos para valorizar o parto humanizado, explicando seus efeitos às gestantes, objetivando subverter a forma como a sociedade lida com a temática.