Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 30/06/2023

Sabe-se que, no Brasil, mais da metade dos partos realizados anualmente são cirúrgicos. Esse fato se da pela falta de informação acessível as mulheres em situação gestacional, ocasionando uma maior vulnerabilidade dessas mulheres que, muitas vezes, pela falta de conhecimento, sofrem violência obstétrica. Nesse contexto, os desafios para a promoção do parto humanizado se torna ainda mais delicado.

Tendo em vista a carência de informações, muitas mulheres criam uma relação de medo e apreensão negativa da hora do parto. Muitas inverdades se perpetuam na sociedade sobre esse momento da vida da mulher, coisas como dores insuportáveis, demora e cansaço extremo, levam muitas dessas mulheres a acreditar que a intervenção cirúrgica é a melhor opção. Tornando um processo que era para ser o mais natural possível, cada vez mais mecanizado.

A partir disso, as gestantes acabam sofrendo violência obstétrica, onde, em um ambiente que era para ser de acolhimento, são desencorajadas a realizar o parto humanizado e perdem o seu protagonismo nesse momento que era para ser o mais especial e natural de suas vidas. Além disso, passam por intervenções que muitas vezes são desnecessárias e podem colocar sua vida e a do bebê em risco, intervenções que muitas vezes não são dadas opções de escolha ou até mesmo feitas sem o seu consentimento.

Sendo assim, urge a implementação de políticas públicas que obriguem os profissionais e ambientes de saúde a incentivarem o parto humanizado, tornando a intervenção cirúrgica uma opção apenas para casos de risco à vida da mãe ou da criança. Cabe aos orgãos fiscalizadores do Governo Federal, à fiscalização do cumprimento dessas leis e da conduta das equipes de saúde envolvidas no processo gestacional dessas mulheres. Só assim, com a diminuição do número de cirurgias e o aumento da naturalização desse processo, o vinculo da criança com a mãe será mais saudável e a recuperação dessa mulher será mais rápida, contribuindo para que a incidência de fatalidades e violência obstétrica diminua e se torne cada vez menos recorrente.