Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 05/07/2023

Sabe-se que, no Brasil, mais da metados dos partos realizados anualmente são cirúrgicos, segundo dados do Ministério da Saúde. Esse fato se dá pela falta de informação acessível às mulheres em situação gestacional, ocasionando uma maior vulnerabilidade dessas que, muitas vezes, pela falta de conhecimento, sofrem violência obstétrica. Nesse contexto, os desafios para a promoção do parto humanizado se tornam ainda mais delicados.

Em virtude da carência de informações, muitas mulheres criam uma relação de medo e apreensão negativa da hora do parto. Muitas inverdades se perpetuam na sociedade sobre esse momento, coisas como dores insuportáveis, demora e cansaço extremo levam muitas dessas mulheres a acreditar que a intervenção cirúrgica é a melhor opção. Tornando um processo que era para ser o mais natural possível cada vez mais mecanizado.

Por causa disso, as gestantes acabam sofrendo violência obstétrica, onde, em um ambiente que deveria ser de acolhimento, são, na verdade, desencorajadas a realizar o parto humanizado e perdem o seu protagonismo nesse momento que era para ser o mais especial e natural de suas vidas. Além disso, passam por operações desnecessárias que podem colocar sua vida e a do bebê em risco, intervenções que, muitas vezes, não são dadas opções de escolha ou até mesmo feitas sem o seu consentimento, como conta em seu relato pessoal Bárbara Nunes, mãe, 29 anos e vítima de violência obstétrica em 2017.

Sendo assim, urge a implementação de políticas públicas que obriguem os profissionais e ambientes de saúde a incentivarem o parto humanizado, tornando a intervenção cirúrgica uma opção apenas para casos de risco à vida da mãe ou da criança. Cabe aos órgãos fiscalizadores do governo federal, a fiscalização do cumprimento dessas leis e da conduta das equipes de saúde envolvidas no processo gestacional dessas mulheres. Só assim, com a diminuição do número de cirurgias e o aumento da naturalização desse processo, o vinculo da criança com a mãe será mais saudável e a recuperação dessa mulher será mais rápida, contribuido para que a incidência de fatalidades e violência obstétrica diminuam e se tornem cada vez menos recorrentes.