Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 26/09/2023

Segundo a Organização Mundial da Saúde apenas 15% dos partos deveriam ser feitos por meio de cesáreas. No entanto, a realidade brasileira está em desacordo com essa recomendação, e a maioria dos nascimentos são realizados no centro cirúrgico. Nesse contexto, a promoção do parto humanizado é desafiada pela negligência do Estado e pela normalização da violência obstétrica.

Em primeira análise, vale ressaltar a importância do Estado ser ativo em promover o parto humanizado no Brasil. Nesse sentido, conforme o filósofo polônes, Zygmunt Bauman, uma “instituição zumbi” é aquela que existe, mas não cumpre com o seu papel social. Sob essa perspectiva, o Estado brasileiro se assemelha a esse conceito, pois não é eficiciente ao incentivar a preferência dos profissionais pela realização parto fisiológico, bem como o encorajamento das gestantes para tal. Em suma, tal postura negligente expõe mulheres e recém nascidos a riscos à saúde totalmente evitáveis .

Ademais, convém frisar que a normalização da violência obstétrica prejudica a realização do parto humanizado no país. De acordo com Hannah Arendt, escritora de origem judaica, o mal do cotidiano acaba por ser banalizado, porque, não é um mal planejado nem tão pouco reconhecido. Sob esse viés, os profissionais das maternidades brasileiras acabam por realizar intervenções arbitrárias sem embazamento ciéntifico, a violência segue enraizada e não reconhecida como tal, seja por quem pratica ou por quem recebe. Assim, infelizmente, a violação é tão frequente que nem é percebida e devidamente corrigida.

Portanto, conclui-se que, cabe ao Ministério da Saúde criar políticas públicas de promoção ao parto humanizado no Brasil. Desse modo, ele deve construir mais Centros de Parto Normal, nos grandes centros e nos interiores, contratar apenas profissionais especializados em obstetrícia para trabalhar neles, assim como periodicamente oferecer capacitações na área e incentivar financeiramente tanto instituição quanto os funcionários, somente se os partos naturais humanizados superarem os cesáreos. Dessa forma, será possível minimizar temporariamente e a longo prazo erradicar os impasses que impedem a recomendação da OMS de se tornar realidade.