Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 10/10/2023

O nascimento de crianças, no século XVIII, realizado no hospital era para mulheres desamparadas, que não podiam recorrer a uma parteira e a um parto familiarizado. Sob esse viés, a alteração da concepção da importância do parto humanizado na sociedade ocasionou mudanças significativas no país. Dessa maneira, é imprescindível analisar a não concretização dos direitos das mulheres e mercantilização do parto como principais desafios para humanizar a procriação.

Diante desse cenário, a continuação da cultura do patriarcado no território brasi-leiro contribuiu na permanência da objetificação do corpo da mulher em detrimen-to do seu próprio direito de escolha. Nessa perspectiva, de acordo com filósofa Simone Beauvoir: “Na gravidez e na maternidade as mulheres perdem a noção do eu e tornam-se instrumentos passivos. Os desejos, vontades e individualidades da mulher são ignorados porque elas são meros úteros que carregam bebês.”. Destarte, o ser feminino encontra impasses na realização de um parto humanizado na contemporaneidade devido as conveções sociais e os estigmas acerca da possibilidade de realizar um ato natural do corpo humano.

Ademais, o fim da Guerra Fria, no ano de 1991, e a consequente consolidação do capitalismo promoveu a busca constante por lucro em toda a esfera global. Com base nesse viés, é necessário pontuar como a indústria cultural influencia a vida na sociedade e, mais precisamente, a realização de intervenções médicas desnecessá-rias nos dias atuais. Dessa forma, segundo os sociólogos Adorno e Horkheimer, a cultura pode ser utilizada para legitimar determinados interesses e, com isso, pro-mover a homogeneização de valores na comunidade, Assim, a alta mercantilização de cesárias prejudica, diretamente, o livre árbitrio da mãe. Tal fato pode ser com-provado pelo dado disponibilizado pela OMS, o qual evidencia o Brasil como 2° país que mais realiza cesárias no mundo.

Portanto, medidas são necessárias. Cabe ao Ministério da Saúde, com as esferas midiáticas, garantir o direito da escolha da mulher, por meio de projetos conscientizadores acerca dos beneficíos do parto natural para a mãe e filho em todos os 5570 municípios brasileiros. Tudo isso com o objetivo de aumentar a ocorrência de nascimentos de crianças de modo humanizado.