Desafios para promover o parto humanizado no Brasil

Enviada em 16/03/2024

Embora a Constituição Federal de 1988 assegure o direito à saúde como direito de todos e dever do estado, percebe-se que , na atual realidade brasileira, não há o cumprimento dessa garantia, principalmente no que diz respeito à promoção do parto humanizado. Isso se deve à desinformação sobre os direitos das grávidas, bem bom a omissão estatal sobre o problema.

Nesse contexto, Jean-Paul Sartre afirma ,em sua obra “O ser e o nada” , que existe o conceito conhecido como " Acomodação Social",segundo o qual há alguns temas sociais banidos da discussão coletiva. Sob a lógica de Sartre, a discussão acerca da promoção do parto humanizado no Brasil, embora seja relevante para as parturientes,não recebe a devida importância. Tal negligência é evidenciada com o número elevado de casos de violência obstétrica, segundo dados da Fundação Abreu Alamo, uma a cada quatro mulheres já sofreram esse tipo de violação no Brasil. Nesse sentido, muitas mães permitem a violência obstétrica por falta de informação sobre seus direitos e, assim, consideram ,tal desrespeito,parte do procedimento de paridela. Em vista disso, é incoerente que o Brasil ainda conviva com o arcaico silenciamento social sobre essa problemática.

Ademais, a omissão estatal motiva indiretamente o obscurantismo no que tange o direito das gestante. Nesse sentido, Norberto Bobbio, expoente filósofo italiano, afirma que as autoridade não devem apenas garantir os direitos básicos, a exemplo o parto humanizado, mas também garantir que as mães consigam usufruir deles na prática.Dessa maneira,o Estado não promovendo discussões, debates e campanhas que orientem as gestantes a exigirem uma assistência profissional pautada na segurança antes, durante e após o parto faz perpetuar o tratamento de grávidas como objetos de estudos médicos e, por conseguinte, a violação de direitos.