Desafios para promover o parto humanizado no Brasil
Enviada em 11/10/2024
No filme ‘‘O Renascimento do Parto’’, é retratada a realidade da violência obstétrica no Brasil, a qual inúmeras mulheres são submetidas diariamente. No entanto, o termo ‘‘parto humanizado’’ surge como estratégia para a redução nos índices de violência sofridas pelas parturientes. Porém, tanto a lógica mercadológica aplicada a medicina, quanto o déficit estrutural de unidades obstétricas, são obstáculos para uma efetiva reestruturação dos modelos arcaicos e violentos que ditam, ainda hoje, o processo de dar a luz no Brasil.
Com relação ao processo de nascer no Brasil, é notório que, devido aos altos custos envolvidos nos procedimentos médicos, a saúde é, muitas vezes, tratada como mercadoria. Nesse interím, busca-se baratear o custo por paciente nas unidades de saúde. Desse modo, aplicando-se essa lógica à medicina obstétrica, são adotada práticas danosas com fito de abreviar o processo do parto, que pode durar muitas horas, como por exemplo com a administração do hormônio ocitocina, capaz que induzir o trabalho de parto, prática desnecessária e arbitrária na maioria dos casos. Em contrapartida a esse cenário, o parto humanizado adota práticas que buscam respeitar a fisiologia e o tempo necessário ao nascer. Sendo assim, profissionais que lutam pela promoção deste novo modelo, que respeita e humaniza mães e bebês, precisam burlar um sistema nefasto que prioriza lucratividade em detrimento do respeito à saúde integral dos pacientes.
Além disso, no que tange a saúde pública brasileira, há um déficit de recursos que permitam uma plena reestruturação na obstetrícia, como por exemplo, infímas casas de parto, unidades estas que priorizam a automonia das mães, ao passo que, oferecem um ambiente seguro e acolhedor para as famílias no momento do parto.
Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, orgão responsável por promulgar as diretrizes da saúde em território nacional, a ação de especificar normas médicas consonantes à humanização. Isso, por meio da reformulação do sistema de saúde, assim como, da inauguração de mais casas de parto, com a finalidade de que, de fato, exista um ‘‘renascimento do parto’’ e que práticas antiquadas fiquem restritas aos filmes documentários.